Quaresma

Os segredos da trivela que deu a volta ao Mundo

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De trivela, Quaresma marcou um golo ao Irão que é um dos mais bonitos do Mundial. A Rússia ficou espantada com o gesto técnico e conhece agora mais sobre "Harry Poter": depois de ter contribuído há dois anos com duas assistências e um golo para a conquista do título europeu, abriu a Portugal as portas dos oitavos de final, apesar do jogo ter terminado com um empate (1-1). E lembrou que se mantém como uma peça crucial na seleção de Fernando Santos. Aos 34 anos, tornou-se no jogador mais velho de sempre a marcar pela equipa das quinas em grandes competições - fez o seu primeiro golo num Mundial, depois de já ter conseguido faturar em Europeus e na Taça das Confederações.

Quaresma não aprendeu a arte da trivela em adulto. Já a fazia em criança, nas ruas do Casal Ventoso. E, aos oito anos, começou cedo a dar nas vistas, numa coletividade de Alcântara, em Lisboa, onde mostrava aquele jeito estranho, mas tremendamente eficaz de bater a bola. Aurélio Pereira, o carismático líder do departamento de scouting do Sporting, descobriu-o por engano em 1991: tinha boas informações sobre o irmão Alfredo, mas quando foi vê-lo, reparou também no irmão Ricardo, e ficou encantado. Tinha a alcunha de "Ratazana" e os seus remates davam nas vistas. "Já era a trivela. Apareceu naturalmente porque ele tinha as pernas arqueadas e era-lhe mais fácil rematar com a parte de fora do pé. Tratava a bola assim, nada foi trabalhado, era um dom", recorda, ao JN, Aurélio Pereira.

A sua arte foi melhorada durante anos antes até se estrear na equipa principal dos leões. Depois transferiu-se para o Barcelona e voltou a Portugal para jogar no F. C. Porto. Seguiu-se o Inter, depois o Chelsea e o Besiktas, mas os seus altos e baixos ao serviço dos clubes nunca o deixaram afirmar-se em pleno na seleção portuguesa. Tudo mudou com Fernando Santos: de praticamente perdido passou a ser um elemento essencial. Em 79 internacionalizações, 44 foram pela mão do engenheiro, tendo marcado sete golos. Antes, só tinha assinado três tentos...

"As pessoas não conhecem o Ricardo, mas é um indivíduo muito bem formado, altamente equilibrado. Se acreditarem nele, ele dá tudo. Com o Fernando Santos, percebeu finalmente que pertence a um plantel de 23 jogadores e não de 11. Há muito mérito do selecionador, que o recuperou, e do Quaresma, que aceitou a nova realidade. A sua utilidade depende dos jogos e do momento. Hoje vê-se que é um rapaz feliz e eu também sou", afirmou Aurélio Pereira, que não se esquece de lembrar a importância do Sporting como clube formador. "Dos 23 jogadores que estão na Rússia, 13 passaram pelo clube. Qualquer um está ali condenado ao sucesso", brincou.

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