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Árbitros admitem parar campeonatos por falta de pagamento

Árbitros admitem parar campeonatos por falta de pagamento

A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol disse esta quarta-feira que Liga de Clubes falhou o pagamento de verbas em falta aos árbitros e admite agora, em último recurso, uma paragem dos campeonatos como forma de luta.

O presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), José Fontelas Gomes, disse à agência Lusa que os árbitros esperavam receber, até à passada segunda-feira, 25% dos salários e prémios relativos aos meses de julho e agosto, tal como tinha ficado acordado com o presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Mário Figueiredo.

"(O acordo) Não foi cumprido. Não houve pagamento", disse Fontelas Gomes, acrescentando que faltam dez dias para a data em que os árbitros deveriam receber o mês de setembro. Nessa data, salientou, os árbitros esperam receber setembro por inteiro e os 25% em falta.

Uma vez que a Liga falhou o acordo, Fontelas Gomes diz agora que os árbitros admitem "uma paragem de campeonato", uma expressão que utilizam para designar uma "greve" e que apenas contemplam como último recurso.

"A nossa postura leva-nos a resistir sempre a soluções de guerra no futebol. No entanto, uma paragem de campeonato é uma forma de luta que está sempre em cima da mesa", disse o presidente da APAF.

O mesmo responsável disse que espera agora uma definição do ou dos candidatos à presidência da Liga, para as eleições agendadas para 27 de outubro.

"Se houver um candidato único, queremos que converse connosco para que a regularização (por parte da Liga) desta verba seja uma prioridade", sublinhou.

Até ao momento o presidente da Liga de clubes de futebol tem-se mantido incontactável pelo que não dá qualquer explicação adicional.

A LPFP - atualmente em processo eleitoral - atravessa dificuldades financeiras. No início do mês, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, explicou que a Liga de clubes gasta 12 milhões de euros apenas com a organização das provas profissionais e a arbitragem e gera receitas de três milhões, pelo que tem um défice de exploração de nove milhões.