Entrevista

Bruno Fernandes: " Borja pediu-me que lhe fosse comprar uma máquina de barbear"

Bruno Fernandes: " Borja pediu-me que lhe fosse comprar uma máquina de barbear"

Bruno Fernandes, médio do Sporting, diz estar orgulhoso pela cláusula de rescisão de 100 milhões de euros embora a tivesse achado "exagerada". O camisola oito dos leões contou ainda, em entrevista à SporTV, como tenta ajudar na adaptação dos companheiros de equipa ao nosso país.

É um dos imprescindíveis de Marcel Keizer e uma das maiores figuras do clube leonino. Na segunda época ao serviço do Sporting, Bruno Fernandes chegou na última jornada aos 28 golos em 2018/19 e tornou-se o médio mais goleador de sempre, numa só temporada, do futebol europeu, ultrapassando Frank Lampard.

Alvo de interesse de alguns colossos europeus, o médio do Sporting, que tem uma cláusula de rescisão no valor de 100 milhões de euros, disse estar feliz por ser falado em outros campeonatos e vincou ter achado, inicialmente, o valor da cláusula exagerado.

"Obviamente que qualquer jogador gosta de ser falado. É sempre bom e sinal que o trabalho está a ser bem feito. Muitas vezes fala-se muito e faz-se pouco. Quando me falaram da cláusula de 100 milhões disse: 'é exagerado'. Nenhum jogador do Mundo deveria valer esse preço. Se alguém como eu valho o que valho, o que dizer de Messi e Ronaldo. É difícil algum clube chegar aqui e bater 60 milhões... Era o jogador com a cláusula mais alta, fui ultrapassado pelo João Félix, mas é um orgulho colocarem uma cláusula dessas em mim", começou por dizer o jogador em entrevista à SporTV.

Após a invasão à academia de Alcochete, o jogador leonino foi um dos que rescindiu contrato com o Sporting, tendo regressado pouco depois. Inglaterra e Espanha foram destinos possíveis, mas Bruno Fernandes não se sentiu "preparado".

"Após a rescisão de contrato tive propostas de clubes de Inglaterra e Espanha. Mas não me sentia preparado para um campeonato tão competitivo. Não tanto pela dificuldade competitiva, mas pelo número de jogos que por norma se faz nesse campeonato. Na temporada passada foi a primeira vez que joguei regularmente no campeonato e competições europeias. Senti que precisava de mais um ano a fazer este número de jogos para me preparar para essa exigência competitiva", explicou.

Relativamente a Marcel Keizer, que chegou esta época para o lugar de José Peseiro, o médio de Alvalade só tem elogios a fazer ao holandês. "É muito positivo e dá muita liberdade aos jogadores, para que se sintam tranquilos em campo. Houve um período menos bom, mas nada teve a ver com o treinador. Após um período bom, tivemos um período menos bom porque perdemos em Guimarães. Houve pausa para o Natal, voltamos a vencer, mas temos a Taça da Liga, empate com o V. Setúbal, derrota em Tondela... Foi receio nosso em não conseguir um bom resultado e ficámos logo longe do primeiro lugar e isso deu-nos maior pressão do que é normal. Mas o mister gosta de jogar, ter bola e quando chegou passou essa mensagem", afirmou.

Antes de assinar pelo Sporting, Bruno Fernandes passou por Itália, onde jogou pelo Novara, Udinese e Sampdoria. Agora em Portugal, o médio tenta ajudar os companheiros na adaptação ao país e ao clube, tendo revelado um episódio curioso de Borja, um dos reforços de inverno do Sporting.

"Estive em Itália e tive vários companheiros que já estavam no clube há uns anos, ou que eram do país. Sempre me ajudaram, principalmente com as pequenas coisas, que se calhar em Portugal não damos importância. Por exemplo, o Borja procura-me sempre que precisa de alguma coisa. No outro dia, pediu-me que lhe fosse comprar uma máquina de barbear. É uma coisa simples, ir a um centro comercial... Mas são coisas que para eles são difíceis, porque têm de entrar em sítios que não conhecem. A língua, apesar de ser parecida, não é fácil de falar. Nesses pormenores tento ajudar, porque sei a dificuldade que é estar fora do país. Mais que ser capitão é ser companheiro de equipa. É algo que acho que deve haver em todas as equipas. A entreajuda não pode ser só dentro de campo, as equipas constroem-se a partir do balneário", vincou.