Crise no Sporting

Cronologia dos acontecimentos: A derrota, a violência e a corrupção

Cronologia dos acontecimentos: A derrota, a violência e a corrupção

A cronologia dos principais acontecimentos que levaram a uma crise no Sporting, desde que ficou em terceiro lugar no campeonato.

13 de maio: Derrota frente ao Marítimo

O Sporting fecha a época com uma derrota (2-1) frente ao Marítimo. Um erro de Rui Patrício tirou todas as esperanças aos leões. Com este resultado, o Sporting termina o campeonato na terceira posição, perdendo a luta com o Benfica pelo segundo lugar, que dava acesso à terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Veja aqui os principais lances do jogo.

Tanto à saída da Madeira como à chegada a Lisboa, os sportinguistas foram recebidos com contestação e revolta por parte dos adeptos leoninos. O descontentamento das cerca de 30 pessoas que esperavam os jogadores em Alvalade não tomou proporções mais gravosas graças à presença de um forte contingente policial no aeroporto, presenciou o JN no local.

14 de maio: Suspensão (não confirmada) de Jorge Jesus

A equipa técnica do Sporting, liderada por Jorge Jesus, reúne-se com a administração da SAD para discutir a atualidade do clube, na sequência do resultado do jogo na Madeira. O JN apura que Bruno de Carvalho suspende Jorge Jesus e a toda a equipa técnica, mas o clube não confirma.

15 de maio: Suspeitas de corrupção e agressões em Alcochete

O Ministério Público investiga um alegado esquema de corrupção ligado ao Sporting. Em causa estão jogos do Campeonato de Andebol da época passada, ganho pelos leões. Há suspeitas de que alguns árbitros terão aceitado dinheiro para beneficiar o Sporting. No mesmo dia, o clube reage, repudiando as alegações. Mais tarde, abre um processo de inquérito ao funcionário do gabinete de apoio ao atleta Gonçalo Rodrigues, por, alegadamente, estar envolvido no esquema de favorecimento.

Os leões anunciam que Jorge Jesus vai orientar a equipa na final da Taça de Portugal, domingo, no Jamor.

Cerca de 50 encapuzados invadem a Academia do Sporting, em Alcochete, e agridem jogadores e treinadores. O episódio de violência é repudiado não só no futebol, mas nas várias esferas da sociedade portuguesa. O presidente dos Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, Joaquim Evangelista, acusa o clube de não ter sabido "garantir as condições de segurança". Os agredidos apresentam queixa na GNR do Montijo. Vinte e três pessoas são detidas.

O presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, Jaime Marta Soares, assegura que nenhum futebolista manifestou vontade de sair do clube após as agressões. O mesmo responsável convoca os órgãos sociais para analisar a situação.

16 de maio: Diretor do futebol detido e final da Taça à porta fechada em cima da mesa

Centenas de adeptos leoninos concentram-se junto ao Estádio José Alvalade, em Lisboa, onde entoam cânticos de apoio ao Sporting, condenando os atos violentos ocorridos na Academia do clube. A Juventude Leonina rejeita responsabilidades nos acontecimentos de Alcochete.

O Sporting é denunciado por corrupção no futebol. Paulo Silva, alegado corruptor, apresenta a participação no Ministério Público. Garante ter comprado futebolistas e árbitros de andebol.

A Polícia Judiciária faz buscas na SAD do Sporting Clube de Portugal, em Alvalade, e na casa do empresário que denunciou a alegada corrupção de árbitros no campeonato de Andebol. O diretor de futebol, André Geraldes, é detido juntamente com João Gonçalves, empresário e interlocutor no alegado esquema de corrupção; Gonçalo Rodrigues, do Gabinete de Apoio ao Atleta e Modalidades Profissionais do Sporting; e Paulo Silva.

Os 23 adeptos suspeitos das agressões em Alcochete são presentes em tribunal e são identificados. O Ministério Público informa que os indivíduos são suspeitos de práticas que podem configurar crimes de sequestro, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e terrorismo, entre outros.

O treino da equipa principal na Academia é cancelado. Há novo treino previsto para dia dia 18, no Jamor, com policiamento reforçado. Depois de uma reunião com o sindicato, os jogadores do Sporting decidem jogar a final da Taça de Portugal. Em caso de vitória, o clube faz saber que não quer ser recebido nos Paços do Concelho de Lisboa.

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, acusa o presidente do Sporting de ser responsável pelo ataque ocorrido no campo de treinos do clube e admite a hipótese de a final da Taça realizar-se à porta fechada. Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, anuncia reforço do dispositivo policial no jogo de domingo, no Jamor.

O Conselho Diretivo do Sporting e a Comissão Executiva da SAD decidem convocar, com urgência, uma assembleia-geral do clube.

17 de maio: Bruno de Carvalho vai processar Ferro Rodrigues e é alvo de processo disciplinar

O presidente do Sporting anunciou que vai mover um processo contra o presidente da Assembleia da República, comentadores e jornalistas por o terem "difamado e caluniado", após os atos de violência em Alcochete. "Não posso aceitar que a segunda figura do Estado tenha sido mais taxativo e belicista, fazendo-me uma crítica violentíssima, não tendo a mínima noção do cargo que ocupa e da sua condição de sócio do Sporting Clube de Portugal. Será por isso um dos primeiros visados nas ações cíveis que vou mover, até pela posição relevante que ocupa na sociedade", refere Bruno de Carvalho, numa nota pessoal enviada à agência Lusa.

Durante a manhã, o Conselho de Disciplina da Federação anunciou a abertura de um inquérito "tendo por base notícias relacionadas com denúncias de eventuais atos de corrupção".

A Mesa da Assembleia Geral do Sporting avança com um processo disciplinar contra Bruno de Carvalho e demite-se em bloco. Marta Soares apela à demissão do presidente.

O treino previsto para dia 18, no Jamor, também é cancelado.

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