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F. C. Porto: Nuno é mais que um guarda-redes

F. C. Porto: Nuno é mais que um guarda-redes

No F. C. Porto, Nuno é muito mais do que um guarda-redes. É um líder do balneário capaz de aconselhar os colegas. Mesmo sendo suplente, nunca se deixa abater. Frente ao Sporting fez esquecer Helton e foi um dos heróis do jogo.

Quem conhece bem o guarda-redes do F. C. Porto, aponta-o como um exemplo a seguir. Nuno Espírito Santo, 34 anos, assume um carácter forte e uma personalidade vincada pela ânsia de vencer. É portista desde pequeno, sente a chama do dragão como um impulso, apesar de ter uma relação de proximidade com a cidade de Guimarães. Foi aí onde começou a defender a baliza do Vitória. "Já convivi com muitos jogadores, mas o Nuno está entre os melhores. É uma pessoa muito alegre, sabe motivar os colegas, está sempre pronto a ouvir e a ajudar. Quando alguém falha, é o primeiro a incentivar. É por isso que muitos colegas correm para abraçá-lo quando marcam um golo", sublinha McCarthy, do Blackburn, ex-avançado do F. C. Porto que lhe chamava "morango".

Nuno é um homem de virtudes, pautando-se por um quadro de conduta em que coloca os interesses colectivos à frente dos interesses individuais, o que também o prejudicou ao longo da carreira. É visto como o eterno suplente, mas incapaz de criar atritos para assumir um papel preponderante na baliza. "É um excelente guarda-redes e uma opção inequívoca, porque tem qualidades. É fundamental no F. C. Porto, porque é respeitado pelo grupo e funciona como uma extensão do treinador. Conhece bem a filosofia do clube", recorda Carlos Azenha, técnico adjunto dos portistas nas duas últimas épocas. Consciente dessa importância, Pinto da Costa renovou-lhe o contrato até 2011 como um reconhecimento ao habitual suplente de Helton.

Nuno é a primeira grande bandeira na carreira do empresário Jorge Mendes, ao ponto de projectá-lo para a esfera internacional. Em 1996/97, a transferência do então jovem guarda-redes do Vitória de Guimarães para o Corunha agitou o futebol, com os minhotos a receberam cerca de 2,5 milhões de euros mais o passe de Milovanovic. O jogador chegou a andar desaparecido, forçando a saída do clube minhoto, onde era um dos mais mal pagos - ganhava cerca de mil euros mensais. Antes, o F. C. Porto ainda tentou contratá-lo, mas o presidente Pimenta Machado mostrou-se intransigente.

Em Espanha, não foi muito feliz. No Corunha, apenas fez carreira como suplente de Songo'o e de Molina, dois guarda-redes consagrados na história dos galegos. Esteve cedido duas épocas ao Mérida e uma ao Osasuna para ganhar experiência e só aí pôde comprovar o seu valor. No Mérida, ganhou o Troféu Zamora, na qualidade de guarda-redes menos batido da 2.ª Divisão espanhola (1999/2000). Em 2002/03, chegou ao F. C. Porto, no âmbito do negócio de Jorge Andrade, ganhando no clube do coração uma Taça UEFA, a Liga dos Campeões e a Taça Intercontinental (rendeu o lesionado Vítor Baía). Depois, foi para o Dínamo de Moscovo - por 2,5 milhões -, jogou no Aves e regressou ao Dragão na época passada. Quando estava no Corunha esteve na agenda do Sporting. E, no Verão, conquistou Scolari e participou no Euro 2008.

É um guarda-redes eficaz, mas tem outros atributos. "Joga muito bem com os pés e também sabe defender penáltis", conta McCarthy. Essas qualidades, aliada à forma como defende os interesses do grupo, levaram José Mourinho a premiá-lo. Num F. C. Porto-Varzim, da Taça de Portugal de 2002/03, marcou um golo de penálti na goleada por 7-0. Quem o conhece diz que é muito poupado - durante anos conduziu o mesmo Mercedes -, e que é muito dedicado à família. Por curiosidade, no decorrer da época passada, esteve para se transferir para o Barcelona, mas o negócio esfumou-se. Agora, depois de uma boa exibição frente ao Sporting, muitos adeptos gostavam que continuasse na baliza, diante do Leixões, na próxima jornada da Liga.

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