Liga Europa

Génio de Falcao dá a Liga Europa ao Porto

Génio de Falcao dá a Liga Europa ao Porto

Do sonho à realidade, o F. C. Porto volta a tocar no céu e venceu esta quarta-feira à noite, em Dublin, a Liga Europa. Oito anos depois de Sevilha, Falcao, que marcou o golo, e o treinador Villas-Boas estão em alta na Imprensa europeia. A vitória é celebrada por milhares de pessoas que já se concentram na Baixa do Porto. Em Braga, os adeptos estão "desiludidos" mas dizem-se orgulhosos do clube.

O jogo com Sporting de Braga teve oportunidades de ambas as equipas, mas o F.C. Porto pressionou sempre mais e conseguiu, aos 44 minutos da primeira parte, pôr-se em vantagem no marcador.

O autor do golo, Falcao, foi eleito pela UEFA como o melhor jogador do encontro.

A vitória portista garante a sua segunda Taça UEFA do clube. Um golo do colombiano Falcao, aos 44 minutos, foi o suficiente para os "dragões" assegurarem nova conquista europeia, depois dos triunfos em 1987 (Taça dos Campeões), 2003 (Taça UEFA) e 2004 (Liga dos Campeões).

Cerca de 2.500 adeptos do FC Porto iniciaram na Baixa do Porto a festa da conquista da Liga Europa de futebol. Após o apito final, muitos mais adeptos se encaminharam para a Avenida dos Aliados para festejar o resultado. Quinta-feira ao final da tarde, os festejos regressam à Baixa, já com a presença da equipa.

Em Braga, os cerca de dois mil adeptos que assistiram à final da Liga Europa na principal praça da cidade dizem-se "desiludidos" com a derrota mas mesmo assim "orgulhosos" da caminhada até à final.

Jogo nervoso

Na Arena de Dublin, a primeira final europeia entre equipas portuguesas começou por ser um jogo nervoso, de medos, com alguns erros a revelarem a tensão do momento e sem ascendente evidente de qualquer das equipas, embora com maior iniciativa -- já esperada - do F.C. Porto, face a um estreante absoluto.

Sem querer correr grandes riscos, Domingos Paciência preferiu dar mais segurança defensiva à equipa, ao incluir Custódio no meio campo em vez de Salino, tentando conter a saída do F.C. Porto para o ataque e sobretudo evitar as entradas velozes de Hulk e Varela pelos flancos.

Foi mesmo dos pés do médio bracarense que saiu a primeira situação de perigo do encontro. Uma insistência de Sílvio, de cabeça, apanhou os "dragões" em contra-pé e Custódio, partindo no limite do fora de jogo, surgiu isolado à entrada da área para atirar ao lado (4 minutos).

A resposta da equipa de Villas-Boas não demorou e teve Hulk como protagonista, mas o brasileiro concluiu mal (7 minutos), depois de bater Sílvio em velocidade pela direita, como viria a fazer mais vezes, num duelo que, à meia hora, valeu um benevolente cartão amarelo ao jogador "arsenalista".

Quase sempre com oito ou nove jogadores atrás da linha da bola e sem se deixar abalar pelas trocas de flanco entre Varela e Hulk, o Braga pautou o ritmo de jogo como quis e foi sustendo um F.C. Porto controlador, mas pouco inspirado, procurando aqui e ali transições rápidas, como a que permitiu a Lima atirar à figura de Helton (21).

As trocas de flanco entre Hulk e Varela não abalavam grandemente a barreira bracarense, mas a estratégia foi atraiçoada à beira do intervalo por um erro de Rodriguez. O central peruano perdeu a bola para Guarin sobre a direita e este cruzou para Falcao marcar de cabeça, aos 44 minutos.

Com o golo, o Braga teve de mudar e bastaram 45 segundos na segunda parte para se perceber outra disposição. Mossoró, lançado por Domingos no lugar do "amarelado" Hugo Viana, aproveitou um erro infantil de Fernando e isolou-se, mas não conseguiu evitar a defesa de Helton com o pé direito.

Este lance foi o prenúncio de uma segunda parte mais aberta, em que o Braga se sentiu obrigado a ganhar ambição e perder "complexos", assumindo o risco de dar mais espaço aos campeões nacionais, que iam dando conta das intenções adversárias.

Os avançados portistas passaram a surgir mais soltos nas imediações da área de Artur Moraes, mas só aos 72 minutos criaram perigo, num cruzamento de Varela a que Álvaro Pereira não chegou por pouco, momentos antes de o árbitro espanhol poupar o segundo amarelo a Sapunaru, após entrada dura sobre Sílvio.

À troca de avançados do Braga - Meyong pelo apagado Lima -, Villas-Boas respondeu com as substituições de Belluschi por Guarin e de James por Varela, refrescando meio campo e ataque, para conter um adversário a querer dar tudo pelo empate, embora sem conseguir aliar a essa vontade o melhor discernimento.

Esteve melhor o F.C. Porto, que soube gerir a vantagem, as emoções e travar as investidas "arsenalistas" e ainda ameaçou o segundo golo, num tiro de Belluschi (86), embora tenha acabado o jogo em sufoco, perante um Braga que na segunda parte se ficou mesmo pela ameaça inicial de Mossoró e terminou o jogo em desespero com o central Paulão a ponta de lança.