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Irão não transmitiu jogo de futebol porque árbitra usava calções

Irão não transmitiu jogo de futebol porque árbitra usava calções

Uma televisão do Irão decidiu não transmitir o jogo de futebol da liga alemã entre o Bayern de Munique e o Augsburgo, na última sexta-feira, porque a árbitra da partida, Bibiana Steinhaus, usava calções.

A Televisão da República Islâmica do Irão deveria ter transmitido o encontro da Bundesliga na sexta-feira, que o Bayern venceu por 3-2 em casa do Augsburgo, mas os media locais e a emissora alemã Bild informaram que o conteúdo foi suspenso ao último minuto depois de se saber que Biabiana Steinhaus ​​​​​​, árbitra alemã de 39 anos, iria dirigir a partida no estádio WWK Arena. E, além de ser mulher, vestiria calções.

Imagens de mulheres com roupas mais reduzidas são censuradas naquele país. Segundo uma reportagem do jornal "The Sun", Steinhaus até já tinha aparecido num jogo transmitido no Irão, mas as emissoras cortaram as imagens da árbitra, que foram substituídas por planos do público. A atleta de 39 anos é considerada uma das melhores árbitras do futebol de alto nível.

Na última temporada, Steinhaus tornou-se a primeira mulher a arbitrar numa das cinco principais ligas da Europa, quando assumiu o comando do jogo entre o Hertha Berlin e o Werder Bremen, em setembro de 2017.

Além disso, foi nomeada para arbitrar alguns dos maiores jogos de futebol feminino, incluindo a final do Mundial de 2013, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e a final da Liga dos Campeões em 2017.

Embora este caso seja um exemplo específico de censura num país religioso, acaba por ser mais um travão na aceitação de profissionais femininas num desporto dominado por homens.

"Não gosto muito de falar da diferença de género quando se trata de arbitragem. Entendo que seja um tema para outras pessoas comentarem", afirmou Steinhaus, que também é uma agente da pólícia, numa entrevista à DW em novembro de 2017.

"No final do dia, o desempenho no campo é o que realmente importa. E a pessoa que tem o melhor desempenho deve ser a pessoa que está em campo, não importa o sexo, a cor do cabelo, a religião", concluiu a árbitra.