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Jorge Jesus pressionado

Jorge Jesus pressionado

A derrota do Benfica no Porto foi, ontem, segunda-feira, avaliada em reunião de direcção das águias. O sentimento generalizado dos responsáveis é de enorme desconforto relativamente ao desempenho da equipa de Jorge Jesus, não só no Dragão, como na restante época.

O resultado humilhante dos encarnados, anteontem, no Estádio do Dragão, deixou Jorge Jesus numa posição antagónica à vivida na temporada passada. Da euforia e crença, o técnico passou a figura pouco consensual, cujo futuro no clube está dependente de várias metas.

O cenário de despedimento imediato está completamente afastado, mas o treinador tem de provar, a curto e médio prazo, que mantém as mesmas capacidades que o ajudaram a sagrar-se campeão nacional.

No topo das exigências que lhe são feitas, está o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. No dia 24, há uma deslocação importantíssima a Israel, onde o Benfica defronta o Hapoel. Uma eventual derrota pode praticamente deitar por terra o objectivo.

Quatro dias antes, as águias têm outro encontro crucial. Recebem o Sporting de Braga, em casa, para a Taça de Portugal. Uma partida difícil e que exigirá todas as armas em campo.

No campeonato, há quase a obrigatoriedade de vencer os próximos oito jogos, que antecedem a deslocação a Alvalade, para encontrar o Sporting, no sentido de assegurar o segundo lugar, que dá acesso à pré-eliminatória da Champions. Eis o calendário: Naval (casa), Paços (fora), Olhanense (casa), Rio Ave (casa), Académica (fora), Nacional (casa), V. Setúbal (fora) e V. Guimarães (casa).

Vieira saiu mais cedo do Dragão

No interior do clube, há quem defenda que o incumprimento de uma das metas é suficiente para colocar seriamente em causa o trabalho de Jesus. Todavia, o valor da rescisão de contrato - cerca de oito milhões de euros -, pode ser um obstáculo.

As contratações desta temporada - Roberto, Fábio Faria, Salvio, Gaitán, Jara e Rodrigo (emprestado ao Bolton) não têm feito, no relvado, a diferença esperada -, e a própria personalidade do treinador, conflituoso na gestão das relações internas com os jogadores e demais elementos da estrutura, foram outros pontos, que, desde o início desta época, fizeram encher um copo que está quase a transbordar.

Jogadores insatisfeitos

O jogo do Dragão foi uma partida de enorme intensidade e com alguns focos de polémica no universo encarnado. Luís Filipe Vieira, presidente das águias, saiu antes do jogo terminar, alegadamente por revelar desagrado com uma derrota por números pouco comuns.

Por outro lado, no interior do campo, os futebolistas sentiram insatisfação com a decisão de Jorge Jesus em colocar David Luiz como lateral-esquerdo, Aimar atrás de Kardec e Saviola no banco. Uma táctica que acabou por sair muito cara...