Desporto

Maior aula de judo do mundo reuniu mais de quatro mil crianças

Maior aula de judo do mundo reuniu mais de quatro mil crianças

O Terreiro do Paço, em Lisboa, viveu, quarta-feira, uma manhã diferente, com mais de quatro mil crianças vestidas de quimonos com as cores do arco-íris a participarem na "Maior Aula de Judo do Mundo", promovida pelo ex-judoca Nuno Delgado.

Sob o lema "campeões para a vida", o medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Sidnei2000 desenvolveu o projecto "Achieve, Collect and Give Back", com a vontade de mostrar que o judo ou qualquer outra área pode ter um papel cívico na sociedade.

No centro de Lisboa, com o rio Tejo sob pano de fundo, o ex-judoca aglomerou milhares de crianças, no Dia Mundial da Criança, e figuras ligadas ao mundo do desporto para, ao som da música, dar uma aula diferente.

A aula pretendia também bater o recorde da "Maior Aula de Judo do Mundo", que contava com pouco mais de 1.000 intervenientes, o que, segundo Nuno Delgado, terá sido largamente superado, não só no judo, mas nas artes marciais.

"Não foi só a maior aula de judo do Mundo, mas a maior aula de todas as artes marciais", disse, no final, Nuno Delgado, a quem só faltava confirmar os números junto dos membros do recorde do Guiness.

Inicialmente, a ideia era juntar 7.000 pessoas no Terreiro do Paço, numa data em que se assinala o Dia de Nelson Mandela e que levou também ao coração da cidade a embaixadora sul-africana em Portugal, Keitumetse Matthews.

A manhã nasceu diferente no centro de Lisboa, com os lisboetas a serem surpreendidos com a estátua do Marquês de Pombal vestida com um quimono e o cinturão com as cores do arco-íris, o mesmo que dava o mote para o evento duas horas mais tarde.

Com várias personalidades envolvidas, algumas ligadas ao judo (João Pina, Ana Hormigo, Yahima Ramirez) e outras não (Gustavo Lima), várias crianças encheram os tatamis de sete cores, enquanto a Nuno Delgado cabia a animação da plateia.

"Tentámos ao longo de um ano, com vários especialistas, para conseguir criar este ambiente em que tivemos crianças, idosos, invisuais, todo o tipo de pessoas a experimentarem os princípios do judo", disse Nuno Delgado.

O antigo judoca olímpico lembrou que foram muitas as escolas que se associaram ao evento, e explicou a simbologia do cinto do arco-íris, o qual lembra os feitos de Nelson Mandela e as adversidades que teve que superar na África do Sul, pela união de um povo separado pelo "apartheid".

A fechar a aula, Nuno Delgado contou com a colaboração do esquadrão falcões negros, da Força Aérea, que desceu de para-quedas no chão do Terreiro do Paço, com cada um dos militares a trazer uma bandeira de cor diferente e, o último, a bandeira de Portugal.

"Peço a todos que façam de cada dia um Dia Mandela, dêem um bocadinho à pessoa mais próxima. "Às vezes preocupamo-nos com coisas mais longínquas, o Haiti, o Japão, e podemos ajudar os que estão mais próximos", frisou o judoca.

Nuno Delgado disse não ser político e que o seu papel é cívico, mas que, neste momento de crise, os "portugueses devem procurar o que querem" e "não podem ficar à espera que lhes resolvam os problemas diários".

O secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, elogiou o papel de Nuno Delgado "num projecto de natureza social" chamado "campeões para a vida" e que desde o princípio houve vontade de o apoiar.

"Vale a pena porque congregou toda a gente e porque continua e tem sequência, com miúdos que vão, por via do desporto, intervir socialmente", referiu Laurentino Dias, também ele equipado com um quimono e um dos participantes da aula.

Imobusiness