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Marisa Barros termina em sexto no Mundial de atletismo

Marisa Barros termina em sexto no Mundial de atletismo

Uma parte final da prova fortíssima, em que recuperou uma dúzia de lugares, permitiu hoje, domingo, a Marisa Barros terminar em sexto lugar na Maratona dos Mundiais de atletismo de Berlim.

A melhor maratonista portuguesa desde Rosa Mota e Manuela Machado terminou como melhor europeia, em 2:26.50 horas, relativamente próximo do seu recorde pessoal (é de menos 47 segundos).

Marisa andou sempre no primeiro grupo até pouco depois dos 30 km, fase em que não respondeu a um ataque e perdeu uma centena de metros.

Até lá, foi resistindo, passando em 20.ª ao km 10 (grupo de 30 na frente), em 13.ª a meio da prova (24) e em 14.ª ao km 30 (12).

Depois, perdeu cerca de um minuto em pouco tempo, mas reagiu e foi passando adversárias atrás de adversárias, para ser sexta, com um atraso de 1.35 minutos para a chinesa Xue Bai.

Nenhuma europeia fez melhor, o que dá ânimo redobrado à atleta para preparar nas melhores condições o Europeu de Barcelona, em 2010.

Falando do momento em que perdeu o contacto com o grupo da frente, disse: "Quem não está no pelotão da frente arrisca-se a não chegar lá, bastou desconcentrar-me um bocadinho depois dos 30 km".

"Quase não chegava lá, acabei forte, recuperei, mas tive de fazer um sacrifício enorme", acrescentou.

A atleta recordou o recente problema no calcanhar, que limitou um pouco a preparação nas últimas semanas. "Estava muito triste porque doía-me no aquecimento. Vinha sempre para correr, mas apareceu um pequeno problema, por causa de umas sapatilhas", explicou.

Não foi isso, no entanto, que determinou não ter seguido as primeiras, depois dos 30 km: "Quando me dei conta, tinha 50 metros de atraso, estava eu e uma etíope (Bezunesh Buraga) e descolámos".

"Ela ainda esticou e colou-se logo, mas eu não - e ainda bem que não porque ela pagou aquele esforço e eu fui subindo lentamente", acrescentou. Essa fase "não dá para explicar" porque "ia bem e perdi 50, 100 metros", reforça.

"Estou felicíssima por ser sexta do Mundo na prova rainha. Quando era mais jovem dizia 'eu hei-de fazer uma maratona', e agora vejo-me a terminar a minha quarta... só por si terminar já é uma sensação de muita alegria, e ser sexta é fantástico", disse ainda.

"Fiquei para trás naquele momento, mas depois senti-me bem e disse 'porque não arriscar um bocadinho', meti o meu ritmo, o meu andamento e fui-as buscar naturalmente", recorda.

Se fosse com as primeiras, "não sabe o que poderia ter acontecido": "Acabar neste lugar ou ainda melhor, ou então ter pago a factura, só Deus é que sabe".

"O meu treinador diz que tenho alma de maratonista e isso faz-me acreditar, vim aqui para terminar", reforça a atleta patrocinada pela Sportzone e que se concentrou em 2009 totalmente na preparação da maratona.

"Cada maratona é uma maratona e depende muito da preparação. Para esta, tive uma preparação excelente", justifica, abordando já a maratona que se propõe preparar em 2010, a dos Europeus.

"Vou para lá confiante de fazer um bom resultado. Tudo depende das maratonas que fizer até lá, maratona é uma aprendizagem, quero aprender e rápido", acrescenta a atleta, que depois de Berlim sobe um lugar na Preparação Olímpica, para o nível de Finalista.

O caminho passa por "ser mais consistente", porque isso é "muito importante para um dia dar o passo mais alto". Que pode muito bem ser uma medalha: "O sonho comanda a vida, e já existe".

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