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Mestre Pedroto perdura no tempo

Mestre Pedroto perdura no tempo

Faz hoje, quinta-feira, 25 anos que faleceu o homem que ajudou a mudar o futebol português.

Faz hoje, sexta-feira, 25 anos que José Maria Pedroto faleceu. Mas o espírito e a lenda do Mestre perduram no tempo. Há uma marca que a história jamais apagará, uma marca profunda e indelével no crescimento e na afirmação do F. C. Porto e do futebol português.

Para a história ficam os títulos como treinador - dois campeonatos nacionais e cinco Taças de Portugal. Mas o legado de Pedroto ultrapassa o currículo desportivo. É visto como um dos melhores técnicos portugueses de sempre, um homem de personalidade vincada, avançado no tempo, movido por uma astúcia e uma inteligência brilhantes. Era um condutor de homens, dotando as equipas de um misto de bom futebol e de uma vontade férrea de vencer. "Sem excelentes artistas não haverá excelentes orquestras", defendia.

Também era um homem de batalhas. Lutou contra o poder centralizado na capital e ajudou a construir o F. C. Porto como protagonista incontornável do futebol português, graças a uma parceria indestrutível com Pinto da Costa, na década de 70 do século passado. Ambos incutiram uma filosofia em que não bastava ter jogadores de qualidade, era preciso mais do que isso. "Os campeonatos não se ganham apenas com bons jogadores. A organização do clube é tão importante, ou mais, como o da equipa de futebol", sublinhava.

Dizia-se que foi ele que acabou com o mito da ponte, a barreira psicológica que levava os jogadores portistas a tremer quando atravessavam o rio Douro, em direcção a Lisboa. Foi sob o comando do Mestre que os dragões quebraram o jejum de 19 anos sem garantir o título de campeão nacional. Até 1977/ /78, um feito que seria repetido na época seguinte. Mas quando chegou às Antas, em 1976, a convite de Pinto da Costa, na altura chefe do departamento de futebol, o clube teve de convocar uma assembleia geral para aprovar o nome de Pedroto, que, em 1969, tinha trocado os dragões pelo Vitória de Setúbal, por divergências com o presidente Afonso de Magalhães.

Pela mão de Pedroto e o cunho de Pinto da Costa, nasce um F. C. Porto mais organizado e capaz de combater os grandes de Lisboa, à custa de um discurso afiado. É aí que nasce a célebre expressão pedrotiana - "roubos de igreja" -, sobre o facto de os poderes da arbitragem estarem enraizados em Lisboa e favorecerem Sporting e Benfica.

Pedroto nasceu a 21 de Outubro de 1928, em Lamego. Foi jogador do Leixões e do Belenenses, clube que trocou pelo F. C. Porto, nos anos 50, à custa de 500 contos (2500 euros na moeda actual), na altura a transferência mais cara do futebol português. Nas Antas, ganhou dois títulos (55/56 e 57/58).

Em 1959, iniciou uma brilhante carreira de treinador, com passagens por Académica, Leixões, Varzim e Boavista, onde conquistou duas Taças de Portugal. Também orientou a selecção nacional. Em 1980, saiu das Antas em solidariedade com Pinto da Costa, contra o presidente Américo de Sá, e treinou o Vitória de Guimarães. Regressou ao F. C. Porto em 1982 e levou a equipa à final da Taças das Taças (1983/84), mas a doença afastou-o do banco no grande jogo de Basileia. Nessa derrota nasceram as grandes conquistas que se seguiram...

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