Desporto

Páscoa Azul

Os dragões despacharam o Estrela da Amadora por expressivos 3-0, com uma exibição segura e eficaz, sobretudo na segunda parte. O F. C. Porto vai passar uma Páscoa doce e moralizado para receber o Manchester United.

O F. C. Porto continua embalado para a conquista do tetracampeonato. À medida que o tempo passa, a equipa continua a revelar uma confiança férrea e uma eficácia incontornável. Está imbatível há 17 jornadas na Liga, o que representa um lastro inabalável quando faltam seis jogos para o final da temporada. Está bem e recomenda-se. Continua firme na liderança, a quatro pontos de distância do Sporting, a oito do rival Benfica e não dá sinais de fraqueza. Nem parece quebrar.

O dragão, ontem, despachou o Estrela da Amadora, por 3-0, num jogo de inteligência e primor em que deu para gerir as peças e a condição física da equipa face à proximidade do jogo com o Manchester United, da segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, já na quarta-feira. Deu para tudo, até para Jesualdo poupar Fernando e Hulk no onze, lançando Madrid e Mariano, que estiveram em bom plano. E também deu para poupar Raul Meireles, Rodríguez e Lucho no decorrer do desafio.

A confiança do F. C. Porto vê-se nos pequenos pormenores. Como a confiança de Bruno Alves, que demonstrou que o deslize em Inglaterra está ultrapassado. Quando Nuno André Coelho, futuro reforço portista, derrubou Mariano, perto da quina direita da grande área dos tricolores, viu-se Bruno Alves a correr vários metros à procura da bola, à procura da bola. E só descansou quando a teve nas mãos. Sinal de confiança, claro. Sinal que ia marcar. Olhou para a baliza, tirou as medidas e marcou um golo espectacular, de livre directo. A confiança também se mede pela forma como Sapunaru cresce de jogo para jogo. Quase marcava dois golos...

Aos 29 minutos, o F. C. Porto abria o caminho do marcador e tinha o problema resolvido. Já respirava fundo e punha o carrossel a girar. O Estrela só fez cócegas no primeiro quarto-de-hora, quando Ney e Silvestre Varela, futuro reforço dos portistas, obrigaram Helton a duas defesas apertadas. Depois, a equipa da Reboleira foi-se encolhendo até passar ao lado do desafio. Razão tinha Jesualdo Ferreira, quando esperava um adversário cansado por só ter retomado os treinos esta semana, na sequência de sete meses de salários em atraso.

Depois, só se viu o dragão. Especialmente, o génio de Farías, um ponta-de-lança que revela um faro irresistível pelo golo. Ontem, marcou dois, já leva sete no campeonato, e só não assinou um hat-trick graças à determinação de Nélson. Mas a luz do guarda-redes do Estrela depressa se transformou em sombra. Lesionado, acabou por ser rendido ao intervalo por Filipe Mendes. E foi aí, na segunda parte, que se viu o melhor F. C. Porto, uma equipa imperial a marcar dois tentos em oito minutos. Primeiro, El Tecla a meter o pé depois de excelente assistência de Hulk; depois, de cabeça, após cruzamento de Bruno Alves.

O dragão passa uma Páscoa feliz e moralizado até quarta-feira, quando pode carimbar a passagem às meias-finais da Champions. O Estrela está sem vencer há cinco jogos e vive momentos de sofrimento.