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Quique perdeu o crédito

Quique perdeu o crédito

O Benfica voltou a escorregar na Luz. O Trofense foi o responsável pelo empate (2-2) e Quique Flores foi novamente despedido com lenços brancos. Um sinal de que possui menor margem de manobra no seio das águias.

Os encarnados até idealizaram uma exibição com bons períodos e inverteram a desvantagem da primeira parte, depois de o espanhol emendar um equívoco táctico - reposicionou Aimar e Di Maria. Todavia, a equipa cometeu demasiadas falhas defensivas - apatia total na marcação de dois livres apontados no meio-campo. Sem responsabilidade nos problemas alheios, o Trofense mostrou eficácia e competência na conquista de mais um ponto em casa de um grande - já havia sido assim no Dragão - para satisfação dos mil adeptos que estiveram na Luz.

O Benfica assumiu a iniciativa de forma natural e centrou a discussão no meio-campo. Todavia, a equipa evidenciou demasiada previsibilidade. O Trofense pareceu demasiado envergonhado nos primeiros minutos. No entanto, mesmo sem demonstrar grande vontade ofensiva, criou situações de perigo. Miguel Ângelo e Charles Chad deram claro aviso, em lances a aproveitar erros de concentração, recordados pelo treinador - reacção tardia a um canto rápido e, depois, Urreta "criou" um contra-ataque ao adversário.

Apesar do alarme, as águias tentavam desmoronar a última barreira contrária, mas cometiam um pecado. Quique colocou Urreta no flanco direito, Aimar na ala oposta e Di Maria junto a Cardozo. O esquema originou uma espécie de engarrafamento no lado destro - onde o jovem argentino descaía teimosamente junto ao uruguaio -, além de um deserto no corredor oposto. Aimar, claramente inadaptado à ala, passava à margem.

O técnico reordenou as peças com uma simples troca entre Di Maria por Aimar. O desenho passava a ter dois flanqueadores rápidos e um pensador no eixo e as oportunidades surgiram quase automaticamente. Primeiro, face ao bailado de Di Maria e, depois, pelo compasso de Aimar. A alteração favoreceu o conjunto da Luz que, no entanto, sofreria um golpe de Valdomiro - cabeceamento na sequência de um livre que concedeu a vantagem ao visitante. O espectro do trauma de nunca ter operado uma reviravolta no marcador, no campeonato, voltou a surgir. Contudo, a estratégia revelara-se eficaz e as águias inverteram o panorama em apenas dois minutos. Cardozo deu sequência às assistências de " El Mago" e de Urreta.

Parecia crível que o Benfica vivesse uma segunda parte tranquila. Todavia, nova falha de marcação de um livre - o Trofense conseguiu um ping-pong no jogo aéreo, concluído por Paulinho, perante a apatia da defesa - transportou a equipa para o sofrimento habitual, incapaz de desfazer o empate. E Quique voltou a ver lenços brancos. O treinador perdeu todo crédito junto dos adeptos.
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