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Série negra de Quim favorece Moreira

Série negra de Quim favorece Moreira

Quim sofreu, frente ao Vitória de Setúbal, o 21º golo da época com a camisola do Benfica, em apenas 15 jogos, e vive o período mais conturbado desde que chegou à Luz, na temporada 2004/2005. A titularidade pode estar em risco.

A eventual opção de manter o número 12 ou lançar Moreira está, naturalmente, nas mãos de Quique Flores, que já admitiu possuir dúvidas e a necessidade de reflectir, não só sobre o tema, como também para analisar outras posições. Independentemente da natureza da decisão, é perfeitamente óbvio que o actual titular vive uma das séries mais negras da carreira, acentuada pelos confrontos da selecção.

No universo encarnado, Quim sofreu o 21.º golo da temporada, num crasso erro individual - Quique apelidou-o de "acidente" e "desgraça inesperada" -, que inviabilizou a liderança da Liga.

A má fase do jogador é ainda pronunciada pelos incidentes vividos no último confronto do principal conjunto luso. Depois dos seis tentos de Brasília, o atleta voltou ao Hemisfério Norte e distanciou-se na longitude para Leste, só que a tragédia grega de Atenas revelou nova hecatombe, de cinco golos.

O cataclismo repetiu-se ontem, na Luz, só que, desta vez, o sofrimento não teve natureza quantitativa, mas sim qualitativa, principalmente na falha que ditou o empate. Treze golos em igual número de dias deixaram, certamente, marcas no futebolista que, no plano global, se viu ultrapassado em 30 ocasiões.

Por outro lado, a actual média de golos sofridos pelo guarda-redes com a camisola benfiquista - 1,4 por jogo, resultante de 21 tentos em 15 partidas (Liga e UEFA) - é pior do que a performance detida por Moreira - 1,3, fruto do mesmo número de golos em 16 jogos -, no momento da passagem de testemunho, em 2004.

Nessa altura, Trapattoni aproveitou uma humilhante derrota no Restelo (4-1) para inverter o protagonista da baliza e descobrir o caminho do título. Os métodos do espanhol não serão iguais aos do italiano, mas a forma de ponderação e análise contemplará alguns parâmetros semelhantes.

As boas exibições na Taça, frente a Penafiel - decisiva nas grandes penalidades -, e Desportivo das Aves serão factores favoráveis e representativos das garantias oferecidas pelo actual suplente.

A ausência de Luisão, principal referência da defesa, nos recentes jogos, o risco de aniquilação psicológica, face a um hipotético afastamento, depois de uma falha individual demasiado grave, e o histórico de Quique - aposta prolongada em Canizares, no Valência, num sinal de pouca receptividade à mudança -, são condicionalismos que influenciam no sentido de manter a solução actual.