Desporto

Tri portista festejado na América, em África e na Europa

Tri portista festejado na América, em África e na Europa

A vitória do F. C. Porto foi festejada nas ex-colónias africnas e em vários pontos do Mundo, entre a comunidade portuguesa, da Europa à América, passando por África.

Em Cabo Verde, a vitória foi festejada um pouco por todo o arquipélago, mas a festa rija decorreu na Terra Branca, "feudo" dos "dragões" da capital do país.

Ao som da "Pronúncia do Norte", "We Are The Champions", dos Queen, e do hino oficial dos "portistas", saídos de potentes altifalantes, a rotunda da Terra Branca, que liga a estrada para a Cidade Velha e a Achada de Santo António, "entupiu" com dezenas de automóveis, que buzinavam, e de adeptos, que apitavam, cantavam e dançavam.

Na rotunda da Terra Branca, várias cordas estendidas entre as casas, de um e do outro lado da rua, permitiam ver bonecos azuis de pé e vermelhos, de pernas para o ar, cordas que caíam com frequência, complicando ainda mais o tráfego, mas sempre sem problemas de maior.

"Foi mais difícil. O campeonato estava nas mãos dos benfiquistas, mas, felizmente, eles fraquejaram e nós mostrámos que somos sempre melhores. Como sempre, somos Porto!!! Porto!!! Somos sempre os melhores!", disse à agência Lusa Danielson Pina, funcionário público.

Lotação esgotada na Casa do F.C. Porto em Luanda

Em Angola, a Casa do Futebol Clube do Porto, em Luanda, foi pequena para receber as dezenas de sócios e adeptos dos "dragões" que celebraram, ruidosamente, a conquista do 27.º título de campeão de futebol profissional.

Criada oficialmente em 1999, a Casa dos Dragões em Angola começou a encher-se muito antes da hora do jogo com o Paços de Ferreira, e ninguém escondia a confiança na revalidação do título.

Fora do edifício, uma vivenda na rua Pedro Miranda com uma renda anual de 47 mil euros, já não havia lugares disponíveis para arrumar carros, cerca de uma hora antes do jogo.

No interior, as contas que se faziam era para arranjar mais um lugar para testemunhar a festa, que, no final, viria a ser regada com champanhe e, durante os 90 minutos de jogo, com uma feijoada bem guarnecida.

Entre os assistentes, o provedor de Justiça de Angola, Paulo Tjipilica, vice-presidente da Assembleia Geral da Casa do F. C. Porto, sócio dos "dragões" desde o tempo em que viveu em Lisboa.

Dos três "grandes" do futebol português, o F. C. Porto é o único com representação em Angola, com a Casa do FC Porto, e os títulos ganhos nos últimos anos começam a ter correspondência nas preferências clubísticas, ameaçando numericamente o Benfica, ainda o mais popular no país, enquanto o Sporting é também em Angola o terceiro na lista das preferências.

O FC do Porto tem três filiais em Angola: o FC de Cabinda (filial n.º29), de Uíge (n.º71) e o de Luanda, que é a número cinco e foi a primeira filial dos "dragões" a ser criada fora de Portugal.

Discreta festa azul e branca nas ruas "vermelhas" de Maputo

Em Moçambique, o cenário é menos favorável aos dragões, mas não impediu centenas de adeptos do F. C. Porto festejaram, brevemente, a conquista do campeonato, nas ruas de Maputo, onde, antes, a maior circulação de símbolos vermelhos do Benfica parecia justificar a sua toponímia revolucionária.

Logo que o F. C. Porto se sagrou campeão, uma pequena manifestação de adeptos moçambicanos portistas concentrou-se no cruzamento das avenidas Julius Nyerere e Eduardo Mondlane, gritando uma versão impublicável do hino "SLB", do Benfica.

Numa outra zona da cidade, carros com bandeiras azuis e brancas pararam por momentos num semáforo, sob o olhar plácido de Martin Luther King, cuja fotografia enfeita o centro cultural americano e assinala o cruzamento da avenida Mao Tse Tung, com a Kim Il Sung.

Depois, a caravana desapareceu para os lados da avenida Vladimir Lenine e, num ápice, a cidade voltou à sua modorra tranquila de domingo à noite, entrecortada por algumas buzinadelas de adeptos, misturadas com música que saía do Núcleo de Arte, repleto de pessoas que pareciam desconhecer o que se comemorava.

Festa portista na América do Norte

Na América do Norte, a festa fez-se entre adeptos portitas da comunidade portuguesa dos Estados Unidos e do Canadá.

No Sport Clube Português de Newark, em New Jersey, cidade com maior população do Estado e uma grande concentração da comunidade portuguesa, nos EUA, a televisão estava sintonizada no jogo que opunha o FC Porto e o Paços de Ferreira.

Ao contrário do que acontecera na semana passada, quando o FC Porto enfrentara o Benfica em casa, o Sport Clube Português de Newark não estava cheio, e eram raros os adeptos da equipa lisboeta.

Luís Melo, 38 anos, era um dos poucos benfiquistas no ponto de encontro da comunidade portuguesa. "Vim porque ainda acreditava que era possível a vitória", explicou à agência Lusa, acrescentando: "O Porto teve um penalti que não existiu, mas a culpa de perder o campeonato é nossa, que não podíamos ter perdido pontos antes de ir ao Dragão, onde sabíamos que era difícil ganhar. Jogámos sempre mais futebol do que o Porto. Devíamos ter vencido este campeonato".

Depois de ver a sua equipa perder a final da Taça UEFA e a Liga, Luís Melo pensa agora no próximo jogo: o Sport Clube Português de Newark, onde joga, está nas finais do campeonato estadual de New Jersey, que acontece no final do mês. "Esse título ainda o podemos ganhar", disse Luís Melo à agência Lusa.

No Canadá, os festejos do 27.º título de campeão nacional do F. C. Porto foram sentidos em Toronto, a cidade canadiana onde existe maior número de portugueses e de luso-descendentes, principalmente em zonas comerciais.

Antes do início dos encontros do Porto com o Paços de Ferreira e do Benfica com o Moreirense, era possível encontrar-se adeptos de ambos os clubes, equipados a rigor, nas ruas da cidade, como a Dundas, a College e a Rogerse St. Clair, onde os bares começavam a ficar lotados.

Na St. Claire, uma zona tipicamente italiana, onde há também uma forte presença portuguesa, os estabelecimentos com raizes nacionais ficaram cheios.

"Campeões, olá, agora limpinho!" foi uma das palavras de ordem mais usadas pelos adeptos e simpatizantes do campeão nacional, depois de os portistas abrirem o marcador. "Sujinho, sujinho", respondiam então os benfiquistas, que acompanhavam a sua equipa.

Num estabelecimento, que se encontrava praticamente cheio de adeptos tanto do FC Porto como do Benfica, durante o jogo surgiram algumas "trocas de palavras", mas a amizade "prevaleceu" e foi tudo "muito pacifíco".

Os portistas, que estavam em maior número, cantaram efusivamente "O Porto é campeão", assim que terminou o jogo.

Portistas festejam em Bruxelas e Londres

A vitória do F. C. Porto mobilizou emigrantes portugueses em vários pontos da Europa.

Em Bruxelas, os adeptos do F. C. Porto fizeram-se ouvir, durante alguns minutos, no bairro de Flagey, onde residem muitos emigrantes portugueses, celebrando a conquista do campeonato com buzinadelas, junto a cafés de origem nacional.

"Depois de ver o Benfica celebrar a conquista do campeonato na Madeira e a reservar o Marquês [de Pombal, em Lisboa], esta vitória ainda soube melhor", disse à Lusa Inácio Rodrigues, adepto portista.

Para João Santos, a vitória do FC Porto demonstra que a equipa azul e branca constitui "o maior clube português" e "ensina ao Benfica que os títulos só se celebram no fim".

Em Londre, a conquista da Liga pelo Porto foi celebrada com gritos e aplausos no café Estrela, em Stockwell, um dos locais mais populares para o acompanhamento de jogos de futebol, e com buzinadelas na South Lambeth Road.

"Este foi um dos melhores campeonatos de sempre", exclamou, num português irrepreensível, Jaz Izzouguene, um argelino "portista", com uma camisola do clube "azul e branco" vestida, adepto do Futebol Clube do Porto "desde os anos 1980, do tempo do Madjer", o avançado argelino que determinou a vitória do clube das Antas, na final da Taça dos Campões, em 1987.

Fernando e Sandra, portugueses radicados há dez anos na capital britânica, gracejavam com a vitória do Futebol Clube do Porto (FC Porto), afirmando que nem tencionam festejar porque "não é novidade".

No café Estrela, próximo da South Lambeth Road, onde se concentram várias atividades comerciais de portugueses, as atenções dividiam-se entre dois ecrãs: um que mostrava o jogo do Benfica, com o som alto, o outro, o do FC Porto, sem som.á

No final, nem os benfiquistas mais otimistas festejaram com grande entusiasmo a vitória na última partida do campeonato, desanimados pela vantagem de dois golos dos "dragões".

A ambição de "época perfeita", que o Benfica há muito esperava, foi "destruída" com a vitória do Futebol Clube do Porto, hoje, que se consagrou assim campeão nacional, disse um adepto benfiquista, em Paris, desiludido com o desfecho do campeonato.

"O Benfica, de longe, foi a equipa que melhor futebol praticou e praticamente, até ao jogo com o Porto, não dependeu de ninguém, para atingir o seu objetivo", assinala Bruno Barros, que falava à Lusa, em Paris, no final dos encontros do Benfica com o Moreirense, e do Paços de Ferreira com o FC Porto.

O adepto realçou que o "'karma' dos 92 minutos perseguiu o Benfica também, na Liga Europa, e destruiu completamente a ambição de "época perfeita".

"Não foi a época que pedimos, mas estamos orgulhosos da garra do nosso clube", assegura Bruno Barros, que terminou as declarações à Lusa com um "Viva o Benfica!".

A comunidade portuguesa reuniu-se hoje um pouco por toda a cidade de Paris, em cafés, restaurantes portugueses e, como já vem a ser habitual, na recém inaugurada Casa do Benfica, na capital francesa, para assistir à última jornada da Liga.

Textos de: José Sousa Dias, da agência Lusa, Eduardo Lobão, da agência Lusa, em Luanda, Luís Andrade Sá, em Maputo, Sérgio Mourato, em Toronto, Carla Jorge, em Bruxelas, Alexandre Soares, em Newark, Bruno Manteigas, em Londres, e Tatiana Gonçalves, em Paris