Desporto

Vicente Moura recusa reagir a atletas e elege federações como interlocutores

Vicente Moura recusa reagir a atletas e elege federações como interlocutores

O presidente do Comité Olímpico de Portugal escusou-se a reagir às críticas dos atletas olímpicos, que não apoiam a sua recandidatura, elegendo as federações desportivas como "interlocutores" privilegiados, em declarações à Agência Lusa.

"Eu não mandei calar os atletas em Pequim porque achei que isso não era correcto e também não os mando calar aqui em Lisboa. Os atletas são livres para ter as opiniões que entenderem, positivas ou negativas. Os meus interlocutores são as federações. É com elas que falo e preparo o futuro do COP", limitou-se a declarar Vicente Moura.

O presidente da Comissão de Atletas Olímpicos (CAO), Nuno Fernandes, declarou, em conferência de imprensa, que a esmagadora maioria dos atletas presentes em Pequim2008 sentiu que Moura "não se portou à altura" e os "abandonou", pedindo ao movimento associativo alternativas à recandidatura do presidente do COP.

Vicente Moura já se reuniu na sede do organismo, em Lisboa, com várias federações olímpicas e não olímpicas, colhendo apoios da maioria, mas não convidou a Federação Portuguesa de Atletismo, que também já assumiu a sua oposição a um quarto mandato seguido por parte do actual presidente.

"Não digo mais nada sobre isso. Quando eu entender que é altura de falar nessas matérias, falarei. Podemos falar de manipulações, coisas assim desse género, mas não é a ocasião. Não estamos ainda no processo eleitoral, que só começa para o ano", concluiu Vicente Moura, sublinhando que a sua recandidatura se mantém, "naturalmente".

O líder do COP assumira, num primeiro momento, ainda durante os Jogos Olímpicos, a intenção de não se candidatar, mas voltou atrás depois das conquistas da medalha de ouro por parte de Nelson Évora, no triplo salto, e da medalha de prata de Vanessa Fernandes, no triatlo.

Apesar de admitir que as prestações ficaram aquém do prometido (quatro a cinco medalhas), Moura considerou tratar-se do melhor desempenho luso de sempre em Jogos Olímpicos e decidiu concorrer novamente ao cargo, reconhecendo a necessidade de maior profissionalização das estruturas do COP.

Ao assumir a recandidatura, Moura reconheceu ainda que existiram "declarações de facto polémicas, até em jeito de brincadeira, mas que foram efectivamente ditas".

"Eu próprio emocionei-me e envolvi-me muito. Houve falta de discernimento, muita emoção e, quando isso acontece, as coisas descambam", destacou na altura, prometendo "falar menos, de futuro".

Fernando Mota, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, criticou há duas semanas "o facilitismo, os comportamentos, atitudes e declarações" de Moura, "antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos", comparando a liderança do presidente do COP com um "cata-vento".