Desporto

Encontro de equipa em que jogam oito "Super Dragões" termina em confrontos

Encontro de equipa em que jogam oito "Super Dragões" termina em confrontos

Estádio Municipal de Vila Meã, 16 horas e 50 minutos. Tudo se conjuga para que o jogo entre o Vila Caíz e o Canelas 2010, referente à Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto, termine sem incidentes, quando 90 minutos de um jogo morno desembocam num cenário de violência nas bancadas, a que só a intervenção policial põe fim.

Contextualizando: pela frente, o conjunto da casa tinha a equipa dos distritais do Porto que mais tinta faz correr. A liderança da prova ajuda, os oito elementos dos Super Dragões que a integram (com Fernardo Madureira, ou Macaco, à cabeça) também, mas o que mais os tem posto na ordem do dia são as faltas de comparência dos adversários - no fundo, um voto de protesto contra as ameaças e agressões de que se queixam.

Por isso, a AF Porto passou a nomear três delegados para os jogos do Canelas. E a presença de Lourenço Pinto, presidente da AF Porto, no jogo de domingo, dificilmente pode ser confundida com um acaso.

Certo é que, durante os 90 minutos, o que ele viu foi um ambiente de relativa acalmia, à boleia de um jogo quase digno de bocejo, que acabou como começou - sem golos e sem pinceladas de violência ou ameaças.

No Municipal, só as tiradas dos adeptos da casa iam recordando que, em campo, estava uma equipa no olho do furacão. "Oh bandeirinha, olha que a gente aqui não te bate. Já estás cheio de medo", solta um dos apoiantes do Vila Caíz, secundado por outro, que se dirige à própria equipa: "Estais com medo deles, pá!". Isto enquanto outro adepto da casa trata do contraditório. "Eu até agora ainda não vi nada diferente dos outros jogos", opinava. E a verdade é que foi quase sempre assim. Quase.

O ambiente só aquece já após o apito final, quando, depois de agradecer aos adeptos do Canelas, Madureira se dirige à bancada afeta ao Vila Caíz, a bater palmas. "Lá bates nos gajos, aqui bates palmas", gritam-lhe. Num ápice, a conversa sobe de tom e já há promessas de as coisas se resolverem "lá fora" quando a tensão se concentra, em exclusivo, nas bancadas.

Três ou quatro adeptos do Canelas irrompem pelo local onde estão os apoiantes do Vila Caíz, crianças incluídas, e a investida traduz-se numa série de agressões que só a intervenção policial sustém (por via das dúvidas, havia um destacamento de intervenção da GNR de reserva desde o início do jogo).

Na confusão, vários adeptos acabam a rebolar pelas bancadas, sem ferimentos graves a registar, enquanto outros lamentam a lentidão da GNR naqueles cinco minutos de guerra. Após 90 de paz.

Uma adepta do Vila Caiz sofreu ferimentos ligeiros, tendo outro sido identificado.