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Jorge Jesus: "Às vezes, até é por jogarmos bem demais que não fazemos golo"

Jorge Jesus: "Às vezes, até é por jogarmos bem demais que não fazemos golo"

Jorge Jesus, treinador do Benfica, mostrou-se bastante agradado com a exibição do Benfica esta noite de quinta-feira, no triunfo sobre o Estoril (3-1), na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal.

"O primeiro objetivo face a que é uma meia-final da Taça de Portugal, a dois jogos, era importante fazermos golos na Amoreira e ganhar. Saio satisfeito pelo resultado e saio satisfeito pelo jogo. Principalmente os primeiros 45 minutos, onde chegamos ao intervalo 1-1, onde tivemos um futebol de qualidade, várias oportunidades de golo", salientou o técnico das águias.

E prosseguiu nos elogios à equipa: "Não conseguimos concretizar e, às vezes, até é por jogarmos bem demais que não fazemos golo, como aquelas duas bolas do Rafa. Nos primeiros 45 minutos tivemos uma intensidade muito alta de jogo, a equipa do Estoril foi uma vez à baliza na primeira parte e fez golo. Também não estamos com aquilo que se chama a sorte do jogo, porque se tivéssemos chegávamos ao intervalo a ganhar 4-0 ou 3-0".

Jorge Jesus também se mostrou agradado com a exibição do adversário. "O Estoril tem uma ideia de jogo interessante, é uma equipa da Liga 2, mas com capacidade para estar na Liga, porque foi líder, com alguns jogadores interessantes. não foi fácil parar a primeira bola de saída do Estoril. Tentámos bloquear essa saída de bola e na segunda parte, embora não tivéssemos jogado com tanta qualidade como na primeira, acabamos por fazer dois golos e poderíamos ter feito mais", analisou.

E continuou: "No melhor período do Benfica fizemos um golo, no segundo, que não foi tão bom, fizemos dois e podíamos ter feito mais. O futebol é isto. Não tem lógica nenhuma, mas também é verdade que as equipas que jogam melhor, pode demorar, mas acabam por ganhar".

O treinador das águias anotou que a equipa andou dois meses quase sem treinar. "A equipa perdeu competitividade, perdeu intensidade. E como a equipa melhora coletivamente? É metendo cinco jogadores hoje num jogo, noutro jogo mais cinco novos e vai fazendo como se fosse uma pré-época a dar competitividade àqueles jogadores que estiveram muito tempo sem treinar. Hoje tivemos dois jogadores, o Diogo e o Everton que, depois da infeção por covid-19, estão a fazer os primeiros jogos. É um trabalho que estamos a fazer em cada jogo, é como se estivéssemos a mudar o pneu com o carro em andamento, mas tem de ser assim e cada vez vamos estar melhores", explicou.

"A Taça de Portugal, para todos os clubes, é o segundo troféu mais importante. Está a seguir ao campeonato nacional. Todos os clubes gostam de estar e de a ganhar. Independentemente do que acontecer no campeonato, este troféu é muito importante para o Benfica e para todas as equipas", frisou.

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Sobre o estado de saúde, Jorge Jesus disse já se sentir bem. "Se tivesse de jogar, não conseguia. Mas já tenho os pulmões bem abertos, já posso gritar. Sei o quanto me custou, quantos dias estive sem poder respirar. Sei o que é covid-19, perdi seis quilos, mas já estou pronto para outra", contou.

Treinador critica antijogo

Já na sala de Imprensa, o técnico benfiquista abordou a recente polémica com a arbitragem. "Isto é normal. Estive dois anos e meio fora de Portugal e, quando saí, já havia esta pressão de querer ganhar os jogos fora das quatro linhas. Mas falo de todos os clubes. Hoje em dia, no futebol português, por qualquer coisinha, numa jogada normal, um jogador toca na pestana do outro e parece que lhe arrancaram um olho. Gritam para o árbitro sancionar. Os jogadores em Portugal estão nesta treta. Às vezes há jogadas agressivas, mas há outras em que tocam com a unha e eles dão gritos, parece que levaram com um pau. São todos", criticou.

E continuou: "E mais. Tem de se acabar o antijogo. As equipas têm de arranjar uma forma de defender para suportar quando jogam contra equipas melhores. Mas deixar o antijogo, deixar de ter guarda-redes a perder dez minutos de jogo deitados no chão. Tem de ser tudo revisto. Devia haver uma reunião com todos os treinadores. Isso aconteceu quando eu estava na Arábia Saudita. Eu estaria disponível para isso e devia fazer-se uma reunião para melhorar o futebol português. Para o espetáculo, para que se deixem estas tretas, este folclore. E não estou a falar de arbitragem, estou a falar dos jogadores de todas as equipas".

Jorge Jesus considera que a pressão constante sobre os árbitros tem um objetivo. "Para mim, o importante é o futebol português. Não é o que o treinador ou o presidente da equipa adversária diz. É importante conjugar ideias em defesa do futebol português. Há esta pressão constante sobre os árbitros, porque pensam que assim é mais fácil ganhar jogos. Mas eu não penso assim. Os árbitros têm de ter poder e quem fala muito, tem de baixar a bolinha. Venho de um país apaixonado por futebol, onde só se fala de futebol [Brasil] e onde não há estas tretas constantes antes dos jogos", finalizou

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