Paços de Ferreira

Jorge Simão: "Vou para os jogos com quem quer lutar comigo"

Jorge Simão: "Vou para os jogos com quem quer lutar comigo"

O treinador Jorge Simão considerou anormal o ciclo de resultados do Paços de Ferreira, apontando o dedo à "capacidade mental e competitiva" da equipa, na véspera da receção ao Gil Vicente.

O técnico pacense, que falava na antevisão ao jogo de abertura da 14.ª jornada, apresentou na sala de imprensa a sua reflexão sobre o momento da equipa, sem ganhar desde a quarta jornada do campeonato, defendendo que as responsabilidades devem ser partilhadas.

"Porque é que acontece com tanta frequência um ano difícil a seguir à participação de equipas da dimensão do Paços nas competições europeias? A minha reflexão é que tem muito que ver com fatores mentais, capacidade e mentalidade competitiva para todos os jogos. Será que os jogadores, e muitos transitaram da época passada, são os mesmos? Será apenas responsabilidade dos treinadores, será da direção? Tem de ser partilhada", disse o técnico.

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Jorge Simão iniciou a conferência, sem surpresas, a dizer que preferia defrontar o Gil Vicente no dia a seguir à derrota diante do Vitória de Guimarães, na última jornada, por 2-1, mas logo a seguir deu o mote para uma intervenção incisiva e dura, como nunca tinha feito antes, admitindo que o fazia, também, como "uma forma assumida de espicaçar o grupo".

"Este ciclo de jogos e de resultados não é normal, seja o treinador Jorge Simão ou não. O lado físico não pode pesar de todo nisto e não é falta de atitude, porque os jogadores correm. Agora se juntar a palavra competitiva isso é outra coisa, e falo da capacidade de manter um registo mental competitivo no máximo, jogo após jogo", referiu Jorge Simão.

Para sustentar esta ideia de fragilidade do Paços na reação às adversidades, o técnico deu vários exemplos, como o jogo na Luz, com o Benfica, para a Taça de Portugal, em que a equipa vencia por 1-0, aos 80 minutos, e acabou por sofrer quatro golos e ser eliminada da prova em pouco mais de 10 minutos.

"Somos muito frágeis na capacidade mental e competitiva para reagir a adversidades. Não é uma questão física ou tática, mas aquilo que chamo de mentalidade competitiva. O que posso fazer é lutar com quem quiser lutar comigo. Vou para os jogos com quem quer lutar comigo", afirmou.

Nesse sentido, o técnico deixou no ar a possibilidade de fazer mudanças no 'onze', até para evitar que alguns jogadores possam pensar que têm lugar cativo, desvalorizando, por outro lado, a contestação dos adeptos.

"As manifestações de desagrado são perfeitamente normais, sou treinador profissional de futebol, isto é a nossa vida e a contestação faz parte. Só não acharia normal ganhar e ser contestado", referiu.

Sobre o Gil Vicente, Jorge Simão deixou elogios, em mais uma declaração em que pareceu falar novamente para dentro de 'casa'.

"[O Gil Vicente] é uma boa equipa, bem treinada. Aprecio muito o que o Ricardo [Soares] está a fazer e há muito mérito por aquilo que o Gil está a fazer. Jogam bom futebol e jogam o que treinam, mas espero ganhar", concluiu.

Na tabela, o Paços está no 13.º lugar, com 11 pontos, dois acima dos lugares de descida, enquanto o Gil Vicente ocupa o oitavo lugar, com 17.

As duas equipas defrontam-se no estádio Capital do Móvel, na sexta-feira, às 20.15 horas, num jogo que terá arbitragem de Artur Soares Dias, da associação do Porto.

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