Polónia

Josué: "Se não fosse o futebol, estaria na prisão"

Josué: "Se não fosse o futebol, estaria na prisão"

Numa entrevista a um meio de comunicação polaco Josué, ex-jogador do F. C. Porto, atualmente ao serviço do Legia, abriu o coração sobre o passado, a doença da mulher e o treinador que o mudou.

O médio, de 31 anos, justificou o que alguns consideram como uma postura " agressiva" em campo com a forma como cresceu, que o moldou na pessoa que é hoje em dia. "Quando era miúdo não via o meu pai muitas vezes, ele trabalhava no estrangeiro. Nasci num sítio pobre, com três irmãos e a minha mãe e a comida não abundava. Foi assim que cresci e isso moldou a minha forma de ser e a minha personalidade. Quando alguém me tenta atacar, eu ataco-o de volta. Tenho orgulho em dizer que hoje em dia se a minha filha quiser um gelado eu compro e ela nunca vai sentir aquilo que eu senti. Cada um tem a sua história e a minha não é fácil. Quero que ela aprecie a infância dela. Considero muito valiosas todas as lições que aprendi"; explicou o jogador.

Paulo Fonseca mudou a vida de Josué, quando ambos coincidiram no Paços de Ferreira, e isso é algo que o craque nunca vai esquecer. "Depois de conhecer o mister Paulo Fonseca a minha vida mudou. Ele transformou-me numa pessoa diferente. Tinha a irreverência e a indiferença própria de um miúdo que não queria saber de nada até que um dia Fonseca me disse algo que nunca me vou esquecer 'Queres desistir? Força. Eu acredito em ti e não te vou deixar desistir. Parece patético mas estas palavras mudaram a minha forma de ver o futebol e a partir daí tudo mudou", confidencia Josué.

Natural de Ermesinde, no distrito do Porto, o jogador português acredita que se não tivesse sido o futebol a sua vida poderia ter corrido bastante pior. "Se não fosse o futebol estaria na prisão. A sério, as pessoas com quem convivia em criança estão agora sob sentença. Não pude aproveitar a vida como uma criança comum, não tive uma infância normal. Aprendi a aproveitar a vida depois de ter conhecido a minha esposa e do nascimento da nossa filha", conta.

Há 11 anos em desavença com a mãe e os irmãos, nem no momento de fraqueza, quando a mulher adoeceu, Josué abdicou do orgulho. "A doença da minha mulher foi o pior que me aconteceu na vida. Ela ainda está com alguns problemas e por isso não estou 100% confortável com a situação. O meu mundo colapsou e foi difícil não poder pegar no telefone e dizer "olá mãe', 'olá mano'. Pessoas com uma situação similar à minha sabem bem o quanto tudo isto custa".

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