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Leonardo Jardim afirma que treinadores lusos se adaptam aos vários países

Leonardo Jardim afirma que treinadores lusos se adaptam aos vários países

Leonardo Jardim defendeu, esta sexta-feira, que o treinador português "não é um mágico", mas tem uma capacidade de "adaptação" a novas realidades que lhe abre as portas do "grande mercado".

Num debate online promovido pela União dos Treinadores de Futebol de Países Lusófonos (UTFPL), o técnico português justificou o sucesso de muitos compatriotas no comando de equipas estrangeiras com essa característica que, diz, "vem da nossa cultura", e também com a formação através dos cursos de treinador que, em Portugal, estão "muito desenvolvidos".

"O treinador português tem um ADN, é capaz de se adaptar aos vários campeonatos e países. A adaptação é uma coisa que muitos treinadores dos outros países não são capazes de fazer e isso dá-nos uma grande vantagem e mercado", assumiu o treinador, que deixou o Mónaco no final do ano passado.

Leonardo Jardim reconheceu que procura conhecer a cultura do país e dos funcionários sempre que chega a um novo clube e recorreu mesmo a exemplos da sua primeira passagem pelos monegascos, em 2014, assumindo que teve "dificuldades" para implementar a metodologia de "treino integrado", com presença constante da bola nos exercícios.

"Em França, o treino analítico e de ginásio estão muito presentes e muitas vezes tive de abdicar de alguns dos meus princípios para que os jogadores se sentissem bem. Mas, a partir do segundo ano, já era raro aquele que me pedia trabalho complementar de corrida e intervalados", revelou o campeão da 'Ligue 1' em 2017, explicando que não se pode alterar todo esse processo "de um momento para o outro".

Outro fator que pesa no surgimento de muitos jovens treinadores portugueses, no entender de Leonardo Jardim, é o facto de acreditarem que podem ter sucesso com uma aquisição de conhecimento e uma formação "mais académicas" sem ter um passado de atleta de alto nível.

"Em França, para ser treinador na 1.ª Liga, quase é obrigatório ter currículo de jogador de 1.ª Liga. Em Portugal, isso não acontece e isso leva muitos jovens a acreditarem que podem chegar lá através da experiência e da formação", analisou Jardim na 'discussão' onde participaram também os treinadores José Gomes, do Marítimo, e Lito Vidigal.

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