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Liga sem público provoca quebra de 127 milhões de euros

Liga sem público provoca quebra de 127 milhões de euros

Pedro Proença afirma, num artigo de opinião publicado a propósito do Anuário do Futebol Profissional Português, que a Liga de Clubes lança esta quarta-feira, que "o término da Liga NOS permitiu minorar a catástrofe financeira que pendia para os clubes" de perdas superiores a 318,5 milhões de euros para os 127 milhões.

"Valeu a pena não desistir. Terminada a temporada é imperativo partilhar uma palavra sincera de reconhecimento com todas as Sociedades Desportivas por terem acreditado também elas na retoma das competições", escreveu o presidente da Liga de Clubes, justificando, com números, porque foi importante a retoma da principal competição.

"O término da Liga NOS permitiu minorar a catástrofe financeira que pendia sobre os clubes, com perdas que poderiam ascender aos 318,5 milhões de euros, caso a época não tivesse sido finalizada. Ainda assim, não podemos deixar de registar que, com as 10 últimas jornadas da Liga NOS realizadas sem público, as quebras de rendimento expectáveis estão na ordem dos 127 milhões de euros", anotou Pedro Proença.

E prosseguiu: "Um valor incomensurável e que revela uma fragilidade que, em 2020, o Futebol Profissional português não devia ter! A covid-19 realçou, ainda mais, algumas das vulnerabilidades existentes no setor, sinalizando, no topo destacado dessa lista, a obrigatoriedade de se avançar, de uma vez, para adoção de reconhecidos modelos internacionais, sem os quais o regulador da competição continuará inoperante na busca de soluções que defendam a sustentabilidade financeira das Sociedades Desportivas e a redução das assimetrias crescentes entre clubes pertencentes a uma mesma competição".

Para se ter uma melhor dimensão das perdas económicas, o responsável pelo futebol profissional salientou que em 2018/19, "a Liga Portugal e as Sociedades Desportivas geraram 851 milhões de euros em volume de negócios, mais 244 milhões de euros do que na época anterior, tendo contribuído com cerca de 549 milhões de euros para o PIB português, um incremento de 40% (!) em relação ao período homologo e que representa um 0,27% do PIB nacional".

Face a estes dados, Pedro Proença reforçou a "assumida ambição" da Liga de Clubes "de que a indústria do Futebol passe a estar também sob a alçada do Ministro da Economia, numa dupla tutela com Ministério de Educação e a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto", pedindo também, "em nome da transparência, uma revisão célere ao atual Regime Jurídico das Sociedades Desportivas", de forma a dar às instâncias desportivas "competências necessárias para um maior escrutínio de potenciais investidores previamente à sua entrada no capital social das Sociedades Desportivas".

No artigo de opinião, o presidente da Liga de Clubes também projetou a temporada 2020/21 e deixou claro qual o principal objetivo: "Fazer regressar o público aos estádios". "Deixando claro que a saúde pública virá sempre em primeiro lugar, tornar-se incompreensível que o Desporto como atividade de entretenimento que é, esteja a ser marginalizada em relação a todas as outras de lazer e cultura. Precisamos do vibrar dos cânticos dos adeptos do calor dos seus festejos e da força das suas paixões! Não nos podemos silenciar ao observar que todas as atividades culturais, incluindo a tauromaquia (!), tenham, e bem, recebido luz verde para receber espectadores e se mantenha um critério diferente para os espetáculos desportivos, com o impacto que isso acarreta no plano financeiro para a indústria", completou.

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