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Luís Filipe Vieira dedica época de sucessos ao pai

Luís Filipe Vieira dedica época de sucessos ao pai

Na ressaca da época que mais troféus valeu ao Benfica, Luís Filipe Vieira, de 66 anos, falou ao JN sobre a temporada que mais o realizou. Na hora do balanço, o presidente das águias lembra que o sucesso não é obra do acaso e promete tentar fazer o pleno nas modalidades já em 2016.

Olhando ao futebol e às principais modalidades de pavilhão, o Benfica venceu cinco campeonatos em seis possíveis e fez quatro dobradinhas. Foi a temporada que mais o realizou desde que é presidente do clube?

Foi sem dúvida um ano excecional e, portanto, do ponto de vista desportivo, diria que sim. Mas não posso esquecer outros momentos ao longo destes 14 anos que nos ajudaram a chegar aqui. A credibilização do clube, todas as infraestruturas criadas, a BTV, o museu. Hoje ganhamos porque criámos condições para isso. Todo o sucesso dos últimos anos não é fruto do acaso, é o resultado do trabalho de mais de uma década.

Que explicações encontra para este sucesso transversal?

O facto de nunca termos desistido das modalidades. Sempre defendi que o ecletismo era uma das marcas do Benfica. As modalidades fazem parte do ADN do clube e quando algumas vozes defendiam que devíamos extinguir algumas modalidades, sempre recusei, porque isso seria renegar parte da nossa história. Toda a reestruturação e aposta que fizemos no futebol de formação e profissional também fizemos nas nossas modalidades. O LAB [laboratório onde são monitorizados os jogadores], a aposta na formação, a prospeção, tudo isto faz parte do dia a dia das nossas modalidades. É um trabalho de anos que começa a dar frutos de forma sustentada.

De todos os troféus alcançados, houve algum em particular que lhe tenha dado mais gozo?

Todos os títulos representam a superação de dificuldades, e desse ponto de vista não quero individualizar nenhum deles. É evidente que o futebol é aquele que mais destaque tem, por razões evidentes, mas ganhar o futsal com um jovem de 18 anos na nossa baliza, num dos jogos decisivos da fase final, deve ser destacado; ganhar todos os títulos no voleibol e termos alcançado uma final europeia merece igual destaque; recordar a autoridade com que ganhámos no hóquei, e o facto de conquistarmos o campeonato e a Taça, o que já não acontecia há 20 anos. Só lamento ter deixado escapar a Supertaça. Ganhar tudo no basquetebol também deve ser salientado, poucos imaginam o nível competitivo que a modalidade tem. E, claro, não posso esquecer o atletismo, onde há um trabalho de base muito estruturado. Todos os títulos têm a sua história e foram celebrados da mesma forma.

Só faltou o andebol. Haverá uma aposta no sentido de fortalecer a equipa e quebrar o domínio do F. C. Porto nessa modalidade?

Claro. Estamos a fazer o mesmo percurso que fizemos no hóquei. Criar bases para poder ganhar. Vamos continuar a investir com rigor e ponderação, mas com o objetivo de ganhar, não tenham dúvidas. Em todo o caso, não posso esquecer que o andebol alcançou uma meia-final europeia. Não há fórmulas mágicas, só trabalho e persistência nos podem levar lá, e, apesar de saber que não é fácil repetir uma época como esta, gostava de poder fazer o pleno nas modalidades.

A quem gostaria de dedicar esta temporada recheada de vitórias?

A todos os colaboradores do Benfica, desde os funcionários invisíveis (administrativos) de que pouca gente se lembra nas vitórias, mas que são tão fundamentais como todos os outros, até aos jogadores e treinadores, mas permitam-me que me lembre e dedique esta época ao meu pai. Cumpri a promessa que lhe fiz em vida! [faleceu em 2007].

Depois desta época, o que é que ainda sonha conquistar?

O que se ganhou já faz parte da história, a ambição tem de ser renovada todos os anos e, portanto, quero voltar a ganhar o máximo de títulos que puder ganhar na nova época. Esse tem de ser o novo desafio, nunca nos contentarmos com o que já ganhámos, mas estarmos sempre insatisfeitos por aquilo que não conseguimos ganhar.

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