Benfica

Maré vermelha para saudar o tricampeão

Maré vermelha para saudar o tricampeão

A vitória foi suada, com muito bate-boca pelo meio, o que deu um sabor especial à festa que juntou milhares de adeptos no Marquês de Pombal, Lisboa, onde se juntaram jogadores e dirigentes.

A festa já se fazia desde as 19 horas, com a Praça Marquês de Pombal cheia, mas quando o "speaker" anunciou que o autocarro encarnado estava a chegar, perto das 22 horas, a euforia instalou-se, com os petardos e sinalizadores de fumos a pintaram o ambiente de vermelho e milhares de bandeiras e cachecóis erguidos no ar.

Recebida em braços, a equipa chegou triunfante, com Rui Vitória na frente do autocarro a saborear o primeiro banho de multidão no Marquês. Quem também se estreou nestas conquistas foi o jovem Renato Sanches, um dos jogadores que festejou de forma mais efusiva durante toda a noite.

A equipa ergueu a taça bem alto para que os milhares de adeptos a apreciassem, de perto ou através dos dois ecrãs que ladeavam o palco, brindaram com champanhe, riram, dançaram e tiraram fotos, numa explosão de alegria partilhada com adeptos de todas as idades.

Renato Sanches - que tinha à sua espera uma bandeira do Benfica com referência à Musgueira, onde começou a jogar - assumiu o papel de um autêntico mestre-de-cerimónias e quando agarrou o microfone para puxar pela multidão não mais o quis largar. E o público aderiu, gritou e celebrou bem alto o tão aguardado 35.º título.

Quando a fogo-de-artifício explodiu nos céus, sob a taça que anunciava a 35.ª conquista, todas as cabeças e telemóveis - de adeptos e jogadores - se ergueram para registar o momento para a posteridade.

"Esta vitória nunca foi garantida. Este campeonato foi muito e bem disputado", assegurou o benfiquista Samuel Niza, de 45 anos, enquanto esperava que a equipa das águias aterrasse no Marquês de Pombal. E se o Sporting tivesse ganho, era um justo vencedor? "Admito que o Sporting também seria um justo vencedor. Ia ser complicado para quem tivesse o primeiro deslize e, felizmente, foi o Sporting", afirma, sem esconder o sorriso de satisfação.

Também Nuno Costa admite que a equipa teve de se bater muito para conquistar o 35.º título. "Foi suada, mas agora já se estava à espera". Para Nuno, o futebol é um momento de família e, por isso, fez questão de festejar com a mulher e os dois filhos, de nove meses e quatro anos. Tal como muitas outras famílias que celebravam a vitória encarnada com crianças pequenas, viu com bons olhos as medidas implementadas este ano pela PSP, que criou um perímetro de segurança alargado a toda a praça e revistas à entrada.

Mas nem todos os adeptos aplaudiram a novidade. Com o sangue a fervilhar para celebrar o tricampeonato, alguns adeptos impacientaram-se com a demora nas revistas e outros lamentaram ter de abandonar as garrafas de vinho e cerveja à porta. Muitos optaram mesmo por ficar a festejar nas ruas perpendiculares ao Marquês de Pombal.

Ao longo da noite, o Marquês de Pombal transformou-se mesmo numa "mega discoteca à pinha" de adeptos do Benfica, com muita gente a dançar e aos pulos. No local do palco, dois ecrãs gigantes passaram os lances principais da temporada, com muita gente a festejar os golos nos "falsos diretos".

Já no Porto, a festa encarnada fez-se na Boavista, onde centenas de adeptos das "águias" se juntaram para celebrar o tricampeonato.

A animação estendeu-se também por todo o país, com os benfiquistas a colorirem as ruas com bandeiras, cachecóis e palavras de incentivo, ao som das buzinas de automóveis e cânticos.