Ténis

Mats Wilander ao JN: "Não faz sentido os miúdos gastarem 40 mil euros para jogarem"

Mats Wilander ao JN: "Não faz sentido os miúdos gastarem 40 mil euros para jogarem"

Conquistou sete Grand Slams, foi número 1 do Mundo e, aos 56 anos, há muito longe dos courts, é comentador da Eurosport onde se tem afirmado como uma das vozes mais conhecidas do ténis mundial. Numa conversa descontraída com o JN, Mats Wilander falou sobre a geração portuguesa, os principais favoritos a vencer no Austrália Open e ainda teve tempo para deixar uma certeza: o ténis atual é pouco democrático.

Este ano podia ter sido histórico para Portugal com três tenistas no quadro principal de um Grand Slam. Do que conhece do ténis português, acredita que é um cenário que se poderá vir a repetir num futuro próximo?
É tudo um ciclo. A Suécia costumava ter muitos jogadores ao mais alto nível e agora temos poucos. É o fluxo normal do ténis. Aparece um grande jogador e ele acaba por inspirar o país e toda a nova geração. Não acho que seja uma grande surpresa e é incrível para Portugal porque o país sempre foi bom a receber torneios profissionais. Por isso, ter jogadores em grandes torneios é bastante bom.

Não sei se está atento às outras modalidades... Qual a principal razão para um tenista estar disposto a falar sobre o seu desempenho após um encontro e isso não acontecer, por exemplo, nos futebolistas, que preferem respostas curtas?
Na verdade, isso é o que se considera suposto. Estás no court sozinho e a culpa é tua ou do teu adversário. Jogaste bem ou mal. Já no futebol é bastante difícil para um jogador dizer o que se passou porque vai parecer que está a culpar o resto da equipa e não a ele mesmo. No ténis é mais fácil de dizer que um jogador fez isto mal ou aquilo. Ou avaliar o adversário.

O ténis é um desporto pouco democrático no sentido que é necessário investir milhões para se jogar ao mais alto nível?
É diferente dependendo do país. Em alguns joga-se em courts públicos de graça, noutros tens de pagar para ser membro de um clube. Espero que num futuro próximo não seja preciso ter muito dinheiro para enviar os miúdos para uma academia de ténis para serem profissionais. Seria ideal fazer isso sem essas despesas. Não faz sentido ir para uma academia e pagar 30 ou 40 mil euros por ano para que isto aconteça. Portanto, sim. Em alguns países é pouco democrático.

O ano passado, o Thiem e o Medvedev estiveram muito perto do nível exibido pelo Djokovic e Nadal. Serão eles os mais fortes da nova geração? E em femininos?
Acho que sim. Aliás, diria que não há dúvidas que Djokovic e Nadal são o primeiro e o segundo, assim como não há dúvidas que Thiem e Medvedev são o terceiro e quarto melhores. Mostraram grande classe o ano passado e em 2021 podem voltar a fazer boas exibições. Em femininos, a Osaka, Barty e Serena Williams são as favoritas para este major.

E sobre o Roger Federer? Acredita que vai voltar ao Tour?
Estou convicto que sim, por duas grandes razões: a primeira é que ele pode ganhar em Wimbledon, entre os 40 e 45 anos, pois é bastante bom na relva e nesse torneio em específico. E também porque tenho a certeza que ele quer estar na Laver cup, que é algo que o Roger tem muita afeição, assim como o próprio Rob Laver, que é um ídolo dele.

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