Bola de Ouro

Messi ou Ronaldo: quem está a envelhecer melhor?

Messi ou Ronaldo: quem está a envelhecer melhor?

Lionel Messi venceu esta segunda-feira a sexta Bola de Ouro e foi considerado o melhor jogador do mundo. Com esta vitória, o argentino ultrapassou a marca de Cristiano Ronaldo. Quais as diferenças entre os dois na atualidade?

Lionel Messi é o vencedor da Bola de Ouro, prémio entregue anualmente pela France Football e que distingue o melhor jogador do mundo. O astro argentino recebeu pela sexta vez o prémio, ultrapassou Cristiano Ronaldo (5) e tornou-se no maior detentor do troféu.

"Quando recebi a minha primeira bola de ouro tinha 22 anos, vim a Paris com os meus irmãos, parecia tudo impensável. Agora, recebo a sexta Bola de Ouro, num momento diferente. Estou aqui com a minha mulher e três filhos", discursou, emocionado.

A Bola de Ouro deixou de pertencer à FIFA em 2016, dando lugar ao The Best, que Messi também venceu há cerca de três meses.

A verdade é que Messi tem estado a um grande nível e a entrega deste prémio não é à toa, mesmo que a concorrência tenha sido forte, pois Van Dijk não ficou muito longe na votação e Cristiano Ronaldo, que completou o pódio, é sempre um forte candidato. A questão é se o português continuará a alto nível, visto que já tem 34 anos e tem quebrado de rendimento, o que se pode constatar pelos números apresentados. O argentino tem apenas menos dois anos e apesar de ser o melhor jogador do mundo para a FIFA e para a France Football, o fim da era Ronaldo vs Messi está perto, restando agora aproveitar o resto que ainda nos podem oferecer.

A verdade é que Messi no ano de 2019 leva 46 golos pelo clube e seleção, ultrapassando novamente os 45 golos, marca que ainda não falhou esta década. Com o passar do tempo, o normal seria descer de forma, mas mesmo que alguns números não sejam tão surpreendentes, a realidade é que o craque compensa em outros aspetos: por exemplo, nos últimos tempos Messi aumentou a eficácia nas bolas paradas, assim como nas chances criadas.

A explicação para isto é o facto de "La Pulga" ter adaptado a sua função dentro de campo enquanto foi envelhecendo. O mapa de calor de Leo pode indicar que neste momento é mais um médio do que um avançado. Nessa condição, é impressionante como consegue aparecer em zonas de finalização ou decidir com a qualidade individual e ser o melhor marcador do ano... Tal como consegue ser o melhor playmaker (criador de jogo) do mundo e o maior assistente do ano simultaneamente!

Esta alteração dentro de campo também é comum a Cristiano, embora de forma diferente. Ronaldo ao longo dos tempos tornou-se mais num avançado tradicional e assume-se como um homem de área. Prova disso é na seleção nacional, onde reside na área adversária e mesmo na Juventus, apesar de Sarri o colocar por mais vezes no corredor esquerdo, Cristiano é um jogador que devido às características de drible, técnica e explosão que vai perdendo, necessita de alimentar-se do golo, para o bem dele e da equipa.

Para as entidades que definem o vencedor deste prémio, geralmente dá-se mais importância à época desportiva do que ao ano civil, logo basearam-se nas estatísticas de 2018/2019 para a decisão.

Lionel Messi nesse período marcou 51 golos e fez 22 assistências pelo Barcelona em todas as competições. Venceu a La Liga, alcançou a final da Taça do Rey e as meias-finais da Liga dos Campeões. Foi o melhor marcador do campeonato (36), o que lhe valeu a Bota de Ouro - prémio que distingue o jogador com mais golos na Europa no campeonato). Além disso, foi ainda o maior assistente da prova, com 15 passes para golo. Nos 90 golos do Barcelona na La Liga, Messi esteve presente em 54.5% deles e marcou um golo ou fez uma assistência a cada 55.3 minutos. O argentino liderou também a La Liga em oportunidades criadas, golos de livre, 'bis', 'hat-tricks', bolas aos ferros, passes em desmarcação, ocasiões flagrantes criadas e ficou apenas em segundo num aspeto ofensivo, os dribles completados, perdendo por dez para Sofiane Boufal. Na Liga dos Campeões, foi também o melhor marcador da prova com doze golos em dez jogos.

Cristiano Ronaldo fez igualmente uma campanha interessante, naquela que foi a sua primeira época enquanto jogador da Juventus. Venceu a Supertaça de Itália e a Serie A, sendo igualmente considerado o melhor jogador da prova, assim como o jogador do ano em Itália. Em 43 jogos em todas as competições, foram 28 golos e dez assistências. Apesar destes números, não terminou como o melhor marcador do campeonato como é um dos seus principais objetivos traçados. Ficou em 4.º lugar, com 21 golos, atrás de Quagliarella, Zapata e Piatek. Cristiano tinha vencido três Liga dos Campeões seguidas pelo Real Madrid e falhou o objetivo com a Juventus, tendo sido eliminado pelo Ajax nos quartos-de-final. A maior conquista do ano foi a Liga das Nações à Holanda, onde foi importante, marcando um hat-trick na meia-final contra a Suíça.

O português demorou a atingir a boa forma em Itália na temporada 2018/2019, não conseguindo ser tão constante como no Real Madrid. Por exemplo, nunca passou tantos jogos sem marcar numa época, desde a transferência para os merengues. Ao todo, foram 25 jogos sem faturar, o que demonstra não só alguma quebra de rendimento, assim como o efeito da modificação de ambiente, tendo em conta que o campeonato italiano tem outras características a que não estava acostumado. Já quando Higuaín se transferiu dos 'blancos' para Itália, demorou a arrancar, no entanto, conseguiu ter épocas com médias perto de um golo por jogo, o que indica que ainda é possível subir essa média, apesar de já caminhar para os 35 anos.

Esta época, Lionel Messi regressou mais tarde devido a uma lesão, que fez com que falhasse cinco jogos completos e metade de outros dois. De qualquer das maneiras, o mesmo Messi voltou e mesmo assim é o segundo melhor marcador do campeonato, apenas um golo atrás de Benzema. Além disso, é também o maior assistente na Liga Espanhola, com cinco, o líder em passes em desmarcação com sucesso e o segundo na lista de dribles completados. Na Liga dos Campeões tem dois golos, três assistências e 39 dribles. Ainda nenhum outro jogador completou 20. A juntar a isto, o astro argentino evoluiu ao longo dos anos a sua capacidade nas bolas paradas. Nos últimos cinco anos, poucos clubes têm mais golos de livre do que Messi. O argentino tem 22, enquanto um clube como a Juventus tem 16, por exemplo.

A forma de Cristiano Ronaldo é incerta até ao momento, isto porque já aconteceu em várias épocas o português começar a pouco gás e depois explodir a partir da segunda metade da época. A verdade é que Cristiano parece pouco motivado e a Juventus desorientada dentro de campo, muito dependente da qualidade individual e das bolas paradas para vencer os jogos, a maior parte deles pela margem mínima. No último fim de semana foram ultrapassados pelo Inter de Milão.

CR7 tem 16 jogos realizados esta temporada e marcou sete golos. É pouco comum ficar em branco e este ano já obteve uma série de quatro jogos sem marcar um golo. Tem sido notícia pelas substituições em dois jogos seguidos, ao que o treinador Maurizio Sarri respondeu que Ronaldo estava com um problema no joelho. Pode ser apenas uma fase menos boa de Cristiano, apesar de que através dos números percebe-se que o sistema da Juventus não lhe está a ser benéfico e alguma mudança poderá ser feita nos próximos tempos.