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Miguel Afonso suspenso 35 meses por denúncias de assédio sexual

Miguel Afonso suspenso 35 meses por denúncias de assédio sexual

O antigo treinador do futebol feminino do Famalicão foi suspenso por 35 meses e multado em mais de cinco mil euros pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol. Também Samuel Costa, "team manager" do clube, foi suspenso por 18 meses e multado em mais de três mil euros.

O Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou esta quinta-feira os castigos referentes às acusações de assédio sexual por parte das jogadoras do Rio Ave, relativas à época 2020/21 a envolver o treinador Miguel Afonso.

O antigo técnico do futebol feminino do Famalicão foi suspenso por um período de 35 meses e foi multado em 5100 euros, por "prática de cinco infrações disciplinares (...) qualificadas como muito graves". Também o team manager do futebol feminino do Famalicão Samuel Costa foi suspenso durante 18 meses e multado em 3060 euros, na sequência de um processo disciplinar, por denúncia, no seguimento do caso de Miguel Afonso. O CD referiu que foi instaurado um processo disciplinar para averiguar "comportamentos discriminatórios em função do género e/ou da orientação sexual".

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"Foi criada uma equipa especial na fase de instrução do processo, tendo sido feitas 18 inquirições a vítimas ou testemunhas, inquirições dos arguidos, análise de mais de 60 documentos, para além dos suportes de áudio e vídeo das inquirições", pode ler-se no comunicado. Segundo o mesmo, Miguel Afonso tentou "por via de comunicações diversas mantidas com as suas jogadoras, seduzi-las e ultrapassar a mera ligação profissional e desportiva entre treinador e jogadoras, o que deixou as jogadoras nervosas, desconfortáveis, tristes, sentindo-se humilhadas e constrangidas na sua liberdade e na sua dignidade pessoal, além de impotentes para contrariar aquelas condutas, tendo em conta a posição de superioridade hierárquica assumida pelo treinador principal relativamente às suas jogadoras".

Segundo o comunicado do CD, Miguel Afonso trocou mensagens com uma jogadora "pedindo-lhe fotografias do seu corpo, sob a promessa de que ficará sob "segredo", procurando perceber qual a sua orientação sexual"; "pedindo-lhe elogios físicos sobre a sua pessoa". Miguel Afonso questionou ainda uma jogadora sobre a sua orientação sexual, convidando-a para "cafés" e "comentando com a jogadora que gostava da forma como esta se movia, como se mexia e como se tocava, além de lhe perguntar se sentia "tesão" por si e de lhe pedir fotografias do seu corpo". Segundo o comunicado, Miguel Afonso tocou "nas pernas de uma jogadora, levando esta a afastar a mão do treinador da sua perna e que ainda tenta tocar na zona das virilhas da jogadora, quando esta sofria aí de uma lesão, e que comenta com essa jogadora que estava com 'boas coxas' e 'boas pernas'", pode ler-se.

Relativamente a Samuel Costa, o antigo "team manager", comentou que "gostaria muito de fazer 'muito sexo oral' a uma dessas jogadoras" e referiu-se a outras atletas com as expressões "cheira-me a mer*** lesbos; bicharada; são mesmo gays; fufalhada; lesbiquices; é tudo lésbica", lê-se no comunicado. Segundo o documento, Samuel Costa dirigiu-se a uma jogadora "num patamar hierarquicamente inferior" com as expressões "migalhinha; flop, lástica", que fizeram a atleta chorar.

O CD considerou que quem utiliza estas expressões "está a adotar comportamento inequivocamente discriminatório em função da orientação sexual, socorrendo-se de terminologia depreciativa relativamente à orientação sexual de determinadas pessoas, e assim evidenciando postura de intolerância e até desprezo face a diferentes orientações sexuais".

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