Ténis

Naomi Osaka desiste do torneio de Cincinnati em protesto contra a violência racial

Naomi Osaka desiste do torneio de Cincinnati em protesto contra a violência racial

Naomi Osaka desistiu do torneio de ténis de Cincinnati, nos EUA, horas depois de ter conseguido o apuramento para as meias-finais da prova, em protesto contra a violência racial nos EUA, associando-se aos protestos históricos do basquetebol, do beisebol e do futebol norte-americanos.

A tenista japonesa, de ascendência havaiana (território norte-americano no Pacífico), explicou as razões do abandono, horas depois de lutar, no "court" por um lugar a caminho da final do torneio de Cincinnati, de preparação para o o Open dos Estados Unidos.

"Antes de ser atleta, sou uma mulher negra. E enquanto mulher negra acredito que há assuntos importantes que merecem atenção imediata", escreveu Naomi Osaka, 10.º classificada do "ranking" da WTA, a Associação de Ténis Feminino.

"Assistir ao genocídio continuado de pessoas negras às mãos da polícia está a deixar-me doente", disse Naomi, revelando sentir-se "exausta" por ver "hashtags" novas a cada semana, em referência aos movimentos criados no Twitter de defesa das vítimas, convocação de protestos e denúncias de brutalidade policial.

"Extremamente cansada de ter a mesma conversa vezes sem conta", a tenista japonesa deixa a pergunta. "Quando é que isto vai acabar?" O protesto de Naomi foi acolhido por outras tenistas, levando a organização a suspender a prova, por um dia.

"Como desporto, o ténis está a tomar uma posição coletiva contra a iniquidade racial e a injustiça social que mais uma vez foi empurrada para a linha da frente da atualidade nos Estados Unidos. A Associação de Ténis dos Estados Unidos, a ATP e a WTA decidiram reconhecer este momento fazendo uma pausa, até 27 de agosto, no torneio Oeste & Sudoeste", designação oficial do "Open de Cincinnati", anunciou a organização.

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Jogadores da principal liga de futebol (MLS) boicotaram cinco jogos na noite de quarta-feira, num protesto coletivo contra a injustiça racial, após um afro-americano ser baleado e gravemente ferido pela polícia no Wisconsin, onde duas pessoas morreram durante manifestações.

Dois outros jogos da principal liga de beisebol (MLB) e do campeonato feminino de basquetebol (WNBA) também ficaram por disputar, o mesmo acontecendo com as três partidas dos 'playoff' da NBA (liga principal de basquetebol), após o boicote dos Milwaukee Bucks.

Blake foi gravemente ferido no domingo em Kenosha, no Wisconsin, onde também duas pessoas morreram na noite de terça-feira num eventual ataque feito por um homem branco, que foi filmado por um telemóvel a abrir fogo no meio da uma estrada com uma espingarda semiautomática.

O evento ocorreu quando centenas de pessoas expressaram a sua raiva, pela terceira noite consecutiva, depois de um vídeo ter mostrado o episódio em que Blake foi repetidamente alvejado por um polícia branco.

O agente disparou várias vezes nas costas do afro-americano, de 29 anos, quando este abria a porta de um veículo, onde estavam os seus três filhos menores, o que foi gravado por câmaras de telemóvel de testemunhas. A vítima permanece internada no Hospital Froedtert, em Milwaukee.

O incidente com Blake ocorreu dias depois de protestos muito participados associados à morte de outro afro-americano, George Floyd, sufocado por um polícia branco em Minneapolis (Minnesota) a 25 de maio.

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