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Noronha Lopes não é candidato às eleições do Benfica

Noronha Lopes não é candidato às eleições do Benfica

João Noronha Lopes anunciou esta tarde de quinta-feira que não será candidato às eleições para a presidência do Benfica, marcadas para outubro, explicando as razões.

"Considero que é urgente virar a página e lutar por um Benfica mais credível e transparente. Denunciei os vícios do Vieirismo e os riscos que o nosso clube corria e o que se passou no último ano confirmou muito do que disse na campanha. A história deu-me razão. Hoje quero esclarecer os benfiquistas relativamente às próximas eleições. Na noite da votação disse que não seria candidato, falei a verdade, disse aquilo que pensava e sem calculismos. Sabia e sei que o Benfica merece um presidente a tempo inteiro e previa que as circunstâncias que permitiram a minha primeira candidatura não se voltaria a repetir", começou por referir o candidato derrotado no ato eleitoral de outubro do ano passado.

E prosseguiu: "Porém, na mesma linha de ser claro e falar a verdade, face às circunstância gravíssimas que rodearam a saída do anterior presidente, ponderei seriamente nas últimas semanas a possibilidade de me candidatar de novo. Feita esta ponderação tomei a decisão de não me candidatar às eleições do próximo dia 9 de outubro".

João Noronha Lopes explicou ter sido uma das "decisões mais difíceis da vida". "Esta decisão tem a ver com fortes razões familiares e profissionais. As circunstâncias atuais da minha vida não me permitem que me recandidate. Na vida nem sempre podemos fazer aquilo de que gostamos e este é um desses momentos", referiu.

O candidato às anteriores eleições aponta falhas ao processo eleitoral. "Os termos em que foi feita esta convocatória condicionam a possibilidade de fazer um debate sério sobre as razões que nos trouxeram aqui e sobre a melhor maneira de resolver os problemas para o futuro. O ato eleitoral tinha todas as condições para ser transparente, se antes da convocatória tivesse sido aprovado um regulamento eleitoral, onde desde logo ficasse claro em que condições se faria o voto físico, onde se fariam os debates na BTV ou como se teria acesso aos cadernos eleitorais de forma igualitária para todas as listas", apontou.

E acrescentou: "As regras das eleições apenas vão ser conhecidas a três semanas do dia da eleição e, portanto, o problema não é das eleições serem cedo demais, o problema é das eleições serem feitas à pressa e sem se conhecer as regras sob as quais vão decorrer".

Para Noronha Lopes, "estes sinais não sugere mudanças em relação aquilo que foram as práticas" do passado. "O que reforça a minha convicção de que quem fez parte do passado recente do Benfica não tem condições para construir o seu futuro. Há uma responsabilidade de quem deveria ter visto, ter perguntado, ter averiguado e de quem deveria, no final, ter saído", realça, numa alusão ao atual presidente, Rui Costa, vice-presidente no mandato de Luís Filipe Vieira.

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"Quero agradecer aos milhares de benfiquistas que nos últimos meses me expressaram o seu apoio, principalmente aqueles que o fizeram nas últimas semanas. Sei que muitos vão ficar desiludidos. Mas, peço a todos, que tal como eu enquanto sócio, continuem a exercer a sua cidadania como benfiquistas sempre", salientou.

E deixou dois apelos: "O primeiro para a lista que emana da atual direção: que cada um faça uma profunda reflexão sobre se reúne as condições necessárias para o cargo que vai ocupar, sem que esteja envolvido em qualquer caso que manche o nome do Benfica. E o segundo apelo é para toda a família benfiquista: que se mostre unida no apoio aos nossos jogadores e às nossas equipas, no futebol e nas modalidades, para que este ano tenhamos as vitórias que tanto nos faltaram nos últimos anos, mas que se mostre igualmente unida na exigência sobre quem for eleito e na intransigência sobre a verdade, unida no direito à transparência e unida nos valores éticos que nos fizeram o maior de todos e que manifeste o seu benfiquismo comparecendo na próxima assembleia geral extraordinária".

"O que se passou nos últimos anos do Benfica não se pode repetir. É responsabilidade coletiva de todos os sócios, principalmente daqueles que forem eleitos para os cargos diretivos, que garantam que finalmente e definitivamente se vira uma uma página", completou.

Questionado se apoiará a candidatura de Rui Costa, Noronha Lopes foi perentório: "Relativamente a Rui Costa tenho uma grande admiração enquanto jogador, estive lá na despedida como jogador. Agora enquanto dirigente não vou apoiar Rui Costa. E não vou apoiar Rui Costa porque faço um balanço daquilo que tem sido a presença dele em cargos diretivos de grande responsabilidade há muitos anos".

E justifica: "Quando tivemos uma OPA ilegal não vi lá o Rui Costa, quando tivemos a demissão do presidente da assembleia geral há pouco tempo porque não concordava com o adiamento da assembleia geral extraordinária não ouvi uma palavra de Rui Costa. Onde estava o Rui costa nesses momentos: estava completamente ausente de momentos graves da história do Benfica".

No que respeita a apoiar outros candidatos, Noronha Lopes anota que ainda não é conhecido o nome de ninguém, considerando "prematuro" pronunciar-se sobre esse tema.

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