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O dérbi na Islândia com os olhos postos no passado

O dérbi na Islândia com os olhos postos no passado

Foram bons tempos aqueles em que Rafael Veloso estava nos juniores do Sporting e Frederico Varandas, esse mesmo, o atual presidente, era o médico dessa equipa e Nélson o treinador dos guarda-redes. Ou em que o Caixa Futebol Campus, no Seixal, era só uma boa ideia e Diogo Coelho era um dos muitos miúdos da formação do Benfica que sonhava, mas num campo pelado dos Pupilos do Exército.

Na altura não sabiam que o futebol acabaria por uni-los e ser a desculpa para uma amizade, improvável até há uns meses. Sim, mantêm-se em lados opostos do dérbi, mas jogam na mesma equipa da Islândia, o IBV. "A vida dá tantas voltas", desabafa Rafael.

Os três mil quilómetros que separam Vestmannaeyjar, a cidade onde vivem, de Alvalade minimizam-se com o "boom" tecnológico e principalmente com as recordações. "Joguei muitos dérbis na formação, sempre teve aquele gostinho especial. Lembro-me bem quando ganhámos um jogo no Seixal, no último lance, com um golo do João Mário", adianta o guarda-redes, que passou sete anos nas camadas jovens dos leões. "São sempre especiais, já na altura havia muita tensão", acrescenta Diogo Coelho, ele que chegou a partilhar o campo com Bruno Gaspar, agora lateral do Sporting, e Rafa, quando se cruzaram nas seleções.

Deixou de ser doença

Veio o profissionalismo, outros emblemas, mais ligações. E o que chegou a estar nas bordas do fanatismo tornou-se numa réstia de adoração. "Sim, sim, claro que ainda sou benfiquista, mas já não sou doente", assume Diogo. "Nem eu. Quando começámos a trocar de clubes é diferente", acrescenta Rafael Veloso.

Entre eles não há e-mails nem "cashball". E hoje também não haverá um único cachecol capaz de os distinguir. Não importa, não fazem falta. A distância, essa, esfuma-se com a televisão, ainda que à hora desta conversa - "mesmo à bom português, fica tudo para a última (risos)" - estivesse por saber onde veriam o Sporting-Benfica. "Provavelmente, vamos juntar-nos na casa de um ou de outro", dizem.

Portanto, a vontade é mútua. "Vai ser giro", prevê o benfiquista Diogo Coelho, que ainda atira um 0-2, "com golos de Rafa e João Félix". Aqui, a partir das 17.30 horas, já à Islândia, refém das poucas horas de sol nesta altura do ano, estará na escuridão profunda e é quase um país-fantasma: "A essa hora não anda ninguém na rua, mas não há risco de adormecermos antes do jogo (risos)".

Primeiro a bola, depois o jantar. Que vai haver, isso é garantido. Só falta saber é se será a meias. "É possível que um de nós fique sem fome", brinca o sportinguista. Pois... É que mesmo que os duelos entre águias e leões tenham perdido algum encanto para eles, e por muitas voltas que a vida dê, um dérbi é sempre um dérbi.

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