Futebol

O fim sem glória dos últimos galáticos de Madrid

O fim sem glória dos últimos galáticos de Madrid

Com a saída de Sérgio Ramos do Real Madrid fecha-se um ciclo na história no clube. Várias figuras marcantes dos "los blancos" saíram de forma atribulada e tendo em conta o peso que tiveram no clube da capital espanhola.

Desde que Florentino Pérez regressou ao Real Madrid para a segunda presidência que a filosofia de contratação do clube se alterou. Os alvos passaram a ser grandes estrelas do futebol mundial e tudo começou com a transferência de Luís Figo, do Barcelona, rival do clube de Madrid, em 2000. Começou a era dos "galáticos" com Zidane, Ronaldo, Beckham, Owen e Robinho, entre outros.

O Real sempre teve grandes figuras no plantel que funcionavam como a cara do clube para as grandes campanhas de marketing e como forma de angariar mais receitas provenientes dos direitos televisivos, mesmo quando os resultados não estavam à altura da lista de estrelas. No entanto, nos últimos anos, a forma como algumas das caras principais saíram do clube mostrou como uma equipa pode desvalorizar o passado de glória de algumas "lendas" dos relvados.

Tudo começou com Iker Casillas, guarda-redes que fez a formação no Real Madrid e jogou no clube até 2015, realizando mais de 700 jogos. O espanhol, campeão do mundo e da Europa, esteve sozinho na conferência de imprensa de anúncio da saída dos madrilenos. Um momento visto por muitos adeptos como um ato de desrespeito para com uma das grandes figuras da história do clube. Em entrevista ao Porto Canal, quando já era jogador do F. C. Porto, Casillas revelou que sabia que a "passagem pelo Real Madrid estava a chegar ao fim em janeiro/fevereiro de 2015". "O ambiente não era bom" e o espanhol já pensava em tomar uma decisão e "sair do Real Madrid".

A saída de Cristiano Ronaldo fez correr muita tinta e especulou-se quais seriam os motivos da decisão. O próprio revelou em entrevista ao jornal francês "L'equipe" que sentia que no interior do clube, "sobretudo por parte do presidente", que já não o consideravam da mesma forma. "Nos primeiros quatro/cinco anos tinha a sensação de ser o Cristiano Ronaldo. Depois não, o presidente olhava-me de forma diferente, como se já não fosse indispensável".

PUB

Ronaldo é, muito provavelmente, o maior jogador da história do Real Madrid. Nunca ninguém marcou tantos golos ou conquistou tantas Ligas dos Campeões como o português. As declarações do avançado deixam perceber que terá havido algum desleixo para com uma figura tão importante de um dos maiores clubes do mundo. A realidade é que, desde a sua saída, o Real apenas conquistou um campeonato e uma Supertaça de Espanha.

Depois já ter sido jogador, o treinador Zinedine Zidane saiu do Real Madrid em 2018, depois de ter conquistado três Ligas dos Campeões consecutivas, explicando que o clube precisava de um novo ciclo para se manter no topo. Com os resultados a ficarem aquém do esperado, o francês regressou ao comando técnico a meio da época 2018/2019 e sagrou-se campeão nacional na temporada seguinte.

Em 2020/2021, o clube de Madrid não conseguiu conquistar nenhum troféu. Chegou às meias-finais da Liga dos Campeões e terminou a dois pontos do campeão Atlético Madrid. Zidane decidiu abandonar o cargo de treinador e explicou os motivos, apontando algumas culpas a Florentino Pérez: "Vou-me embora porque sinto que o clube não me deu a confiança que precisava e não me ofereceu o apoio para construir algo a médio e longo prazo. Gostava que a minha relação com o clube e com o presidente tivesse sido um pouco diferente nestes últimos oito meses. Não pedia privilégios, mas sim um pouco mais de memória", escreveu.

O caso mais recente de uma saída controversa da equipa é Sérgio Ramos. Esta quinta-feira, o Real Madrid anunciou que o capitão ia sair do clube a custo zero por não renovar contrato. O defesa espanhol falou à comunicação social sobre o caso e explicou que nunca queria ter saído do clube. "Nos últimos meses, ofereceram-me um ano de contrato com redução de salário. Disse que não era um problema económico, mas queria dois anos e tranquilidade para mim e para a minha família. Nas últimas conversas aceitei a proposta de um ano, mas comunicaram-me que a oferta já tinha caducado e eu não sabia da existência desse prazo", referiu.

O Real Madrid é um clube que nas últimas duas décadas viveu de grandes nomes e muito sucesso desportivo, sustentado por jogadores que se tornaram lendas. No entanto, figuras como Casillas, Ronaldo, Zidane e Sérgio Ramos saíram de forma conturbada e com dedo apontado ao presidente Florentino Pérez.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG