135 anos a criar pontes

O futebol era amador e a polémica profissional

O futebol era amador e a polémica profissional

O início da segunda década do século XX marcou a estreia da seleção nacional. Ou melhor, de uma equipa de futebol que representou parte do país, num exemplo longínquo de um centralismo que muitos garantem que se mantém até aos dias de hoje.

A 18 de dezembro de 1921, Portugal jogou em Madrid frente à Espanha e acabou vergado a uma derrota por 3-1, mas o que antecedeu o encontro acabou por ser mais importante do que aquilo que se passou dentro das quatro linhas.

O primeiro duelo ibérico devia ter sido jogado em 1912, mas os responsáveis espanhóis queriam que Portugal suportasse todas as despesas do encontro e o "divórcio" arrastou-se durante oito anos até que, em 1920, foi agendada a partida, que teria lugar no campo onde, na altura, jogava o Atlético de Madrid.

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Com tudo acertado, um vendaval de polémicas varreu o futebol nacional. O então treinador do Sporting, Augusto Sabbo, foi o responsável por elaborar a primeira convocatória de sempre e chamou Francisco Pereira, jogador do Belenenses, opção que gerou muitas críticas na Imprensa, ao ponto do próprio atleta renunciar à seleção, gerando uma onda de solidariedade entre os outros atletas dos azuis do Restelo, com o irmão Artur José Pereira, considerado o melhor jogador português da época, a bater também com a porta. Sabbo foi o próximo a demitir-se do cargo e os dirigentes nomearam uma comité formado por seis pessoas, todas da Associação de Futebol de Lisboa

A AF Porto não gostou do facto de, entre todos os clubes nortenhos, apenas ter sido convocado Artur Augusto (F. C. Porto) e considerou mesmo que a chamada se devia ao facto de o atleta ter nascido em Lisboa, tendo decretado a ausência de todos os seus atletas. Artur Augusto furou o boicote e foi mesmo a jogo, tendo sofrido a falta que resultou no penálti que permitiu ao seu irmão, Alberto Augusto, marcar o único golo português frente a Ricardo Zamora, mítico guarda-redes espanhol e que dá, até hoje, o nome ao prémio que distingue o melhor guardião da liga espanhola.

Com o Casa Pia em maioria na génese da seleção das quinas - o clube de Pina Manique cedeu seis jogadores, entre os quais José Gralha que, então com 16 anos, nove meses e cinco dias, continua a ser, até hoje, o mais jovem internacional português de sempre -, o capitão era Cândido de Oliveira, fundador de "A Bola" e que dá o nome à atual Supertaça portuguesa. A verdade é que o JN não fez qualquer referência ao jogo com a Espanha, mas quatro dias depois guardou algumas linhas para reportar a chegada da seleção nacional à Estação do Rossio, em Lisboa.

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