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O grito que "empurrou" Jorge Fonseca para a sua primeira medalha olímpica

O grito que "empurrou" Jorge Fonseca para a sua primeira medalha olímpica

Um grito de frustração com a derrota na meia-final e o aviso do 'mestre' de "ainda há uma medalha para ganhar" empurraram hoje o judoca Jorge Fonseca para a primeira medalha, de bronze, nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

A medalha chegou pela via que não queria, relegado para a 'consolação' do bronze nos -100 kg, depois de ver escapar a possibilidade de lutar pelo ouro, quando, a poucos segundos do final, cedeu diante do sul-coreano Cho Guham.

Foi o momento em que o bicampeão mundial pareceu quebrar, sem tempo de recuperar, e soltou um grito incómodo, arrastado, de quem via escapar o grande objetivo, o título olímpico, mas o treinador Pedro Soares, o 'guia' do judoca, avisou-o: "há uma medalha para ganhar".

Pedro Soares, fundamental nas conquistas de Jorge Fonseca, tratou de o centrar no que ainda importava: a luta pela medalha de bronze, daí a uns minutos, frente ao 'gigante' -- de mais 20 centímetros - canadiano Shady Elnahas.

Já na decisão, os dois judocas evitaram riscos, num combate controlado de parte a parte, em que Jorge Fonseca teve ligeira desvantagem com um castigo (shido), a 1.38 minutos do final, que o deixava mais condicionado.

Com ambos cansados e sem pegas verdadeiramente eficazes, a luta arrastou-se até ao último minuto -- fase muito perigosa pela incapacidade de recuperação se algum pontuasse, o que aconteceu desta vez favoravelmente a Jorge Fonseca.

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Se na meia-final, o português não conseguiu reverter o waza-ari do sul-coreano a 15 segundos do fim, na discussão do bronze foi Elnahas em 'aflição' quando o português também pontuou a 38 segundos dos quatro minutos regulamentares.

Jorge Fonseca, que já tinha um castigo, tinha margem curta para gerir, podendo receber apenas mais uma penalização, tendo em conta que uma terceira ditaria a sua eliminação, mas conseguiu ficar-se por um segundo shido, a 26 segundos do fim.

No fim, Jorge Fonseca não dançou no tatami -- como o fez nas duas vezes em que se sagrou campeão mundial, em 2019 e em junho deste ano -, enviou um beijo, aos aplausos vindos da bancada, repetiu a saudação, aplaudiu, e abraçou o treinador.

Até à medalha, o judoca teve o seu único revés na meia-final -- num combate em que se sentiu muito afetado, desde o primeiro minuto, com uma cãibra na mão esquerda -, depois de, antes, vencer dois combates no quadro principal.

Isento na primeira ronda, Jorge Fonseca teve um início demolidor no seu primeiro combate, ao projetar o belga Tomo Nikiforov em apenas 17 segundos, e, no segundo, reencontrou o russo Niiaz Iliasov, com quem lutara no Mundial de 2019 (vitória) e nos Europeus de 2021 em Lisboa (derrota).

Se nestes Jogos entrou em modo explosivo, com Iliasov precisou de resistência e paciência num 'golden score', que o beneficiou após uma longa paragem de cinco minutos, para assistência ao judoca russo, com uma lesão no sobrolho, acabando por vencer ao fim de quase oito minutos.

A medalha de hoje coloca o judoca numa restrita galeria de atletas medalhados na modalidade em Jogos Olímpicos, juntando-se a Telma Monteiro (-57 kg), no Rio2016, e Nuno Delgado (-81 kg), em Sydney2000, ambos também de bronze.

A conquista de hoje faz com que reclame para si o estatuto de melhor judoca português, ao juntar ao bicampeonato mundial -- com duas medalhas inéditas na modalidade em Portugal -, à medalha olímpica, mas Jorge Fonseca já disse que não se contenta com o resultado de hoje.

"Queria mais, ia para o ouro, era o meu grande objetivo. Fica para a próxima [Paris2024]. Quero ser o melhor de todos os tempos no desporto nacional", disse no final, ainda junto ao tatami do Nippon Budokan.

Com oito judocas portugueses em Tóquio2020, a maior delegação de sempre, a par de Barcelona92, Jorge Fonseca chega à medalha ao sexto dia da competição individual, ficando a faltar a entrada em competição de Rochele Nunes (+78 kg), na sexta-feira.

Antes, Catarina Costa foi quinta classificada em -48 kg, Telma Monteiro (-57 kg), Bárbara Timo (-70 kg) e Patrícia Sampaio (-78 kg) disputaram dois combates, e Joana Ramos (-52 kg) e Anri Egutidze (-81 kg) perderam nos combates de estreia.

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