Opinião

O pulso do treinador

A vida de um treinador de futebol é feita de vários riscos. O risco de saber liderar, de tomar decisões, de dar a cara nas horas mais difíceis e da exposição à crítica. No fim, quando tudo corre bem, parece fácil, mas até se chegar a esse ponto o caminho é sempre difícil.

Fernando Santos correu um enorme risco ao deixar Cristiano Ronaldo no banco de suplentes, mas a decisão deu-lhe dimensão dentro do balneário, ao mostrar que não aceita que jogadores ultrapassem determinadas linhas. Deu-lhe ainda mais respeito junto dos adeptos - só joga quem está em melhor forma -, e revitalizou-lhe a imagem de um treinador corajoso e capaz de olhar para os jogadores por aquilo que eles valem, independentemente do nome que eles ostentam nas camisolas. No fim da história, Portugal mostrou que é capaz de viver sem Cristiano Ronaldo; como já tinha sobrevivido sem o capitão da equipa das quinas nas grandes decisões da final do Euro 2016, o jogo mais importante da história da seleção portuguesa. E isso é um enorme sinal de vitalidade numa equipa recheada de talento, que vale pelo coletivo e tem a verdadeira geração de ouro. No meio de todo este turbilhão de emoções, em que joga o futuro e acusa a pressão de ter de mostrar algo que não precisa, Ronaldo também desceu à Terra. Neste momento, já não é o melhor avançado da seleção portuguesa. Mas merece todo o respeito. Por tudo.

*Editor

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