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O segredo para o sucesso do Liverpool

O segredo para o sucesso do Liverpool

O Liverpool é uma das equipas mais bem-sucedidas dos últimos anos. A nível desportivo, em três épocas chegou a uma final, conquistou a Liga dos Campeões e venceu a Premier League, 30 anos depois do último triunfo. Por detrás deste sucesso desportivo está também um bom trabalho na gestão do clube.

Gestão e sucesso financeiro

15 de outubro de 2010 foi um dia importante para o Liverpool. A Fenway Sports Group comprou o clube numa fase instável, com pouco sucesso desportivo e com dívidas. Terminou essa temporada no 7.º lugar e pagava avultados empréstimos.

Michael Edwards, diretor desportivo, encabeçou uma reformulação do Departamento de Recrutamento e de Dados, com objetivo de identificar melhor os alvos no mercado de transferências e contratar o treinador certo para substituir o antigo técnico Brendan Rodgers. Esta reforma é um dos principais fatores para o sucesso da equipa nas contratações e pela estrutura da forte equipa que possui hoje.

Mike Gordon, presidente da FSG (Fenway Sports Group), explicou na biografia de Jürgen Klopp, que o sucesso pouco provável do treinador no Mainz e no Borussia Dortmund cativaram o Liverpool. Na primeira reunião com Tom Werner, presidente do clube, e John Henry, acionista maioritário da FSG, Klopp destacou a necessidade de reacender a chama dos adeptos. Com um perfil carismático, com provas de sucesso dadas e com uma ideia de jogo interessante, o Liverpool verificou que o alemão entendia a filosofia do clube e que era o homem certo para liderar o projeto.

A situação financeira do clube desde que a FSG tomou posse melhorou ano após ano. Entre 2010 e 2019 os direitos comerciais passaram de cerca de 75 milhões de euros para 208 milhões. Os direitos televisivos, bastante elevados no cenário britânico comparados aos restantes campeonatos europeus, aumentou de 82 milhões de euros para 291 milhões. As receitas de bilheteira, potenciadas pela construção de uma nova bancada que aumentou em 8,5 mil lugares a capacidade do estádio, passou de 47 milhões de euros para 92 milhões.

Esta nova bancada foi construída em 2014 e em apenas um ano as receitas aumentaram em 12 milhões de euros. O Liverpool é, atualmente, o terceiro clube em Inglaterra com maior volume de vendas de bilhetes. Está apenas atrás do Arsenal que recebe 106 milhões, e do Manchester United que aufere 122 milhões de euros.

Com melhorias no estádio e com o rendimento desportivo a aumentar, o Liverpool tornou-se num clube atrativo para patrocinadores. Entre 2010 e 2019 a equipa conseguiu nove novas parcerias.

Em 2018 assinaram com o seu principal patrocinador de equipamentos, Standard Charter. Em 2017 a Wester Union começou a patrocinar a equipa, com o seu logótipo na manga da camisola. Inicialmente em 2016 a Betvictor patrocinava as camisolas de treino, mas em 2019 foi substituída pela AXA. Para além destes, o Liverpool tem parceria com a Carlsberg, Nivia e EA Sports.

Uma das principais fontes de rendimento da equipa é sua camisola de jogo. O Liverpool terminou contrato com a New Balance este ano e assinou com a Nike um contrato de fornecimento de equipamentos. A empresa vai pagar cerca de 33 milhões de euros por época à equipa, menos do que a New Balance pagava. No entanto, a distribuição foi aquilo que mais cativou o Liverpool. Enquanto a Nike vai vender as camisolas em 6 mil lojas por todo o mundo, a antiga fabricante apenas vendia em 3 mil. Para além disto, o Liverpool vai receber 20% por cada unidade vendida. Este será o terceiro melhor negócio do mundo (atrás de Barcelona e Real Madrid) e será o mais lucrativo de sempre na Liga inglesa.

O Liverpool também pretende ter novos focos de venda na Malásia, EUA, Canadá e Alemanha. Este objetivo foi explicado por Billy Hogan, chefe comercial da equipa, em entrevista à "Sportsbussiness", referindo que o clube quer estabelecer parcerias em locais específicos do mundo de forma a tornar a marca global.

Sucesso desportivo

O sucesso desportivo do Liverpool deve-se muito ao trabalho feito por Klopp. Ao contrário do que acontece em outros clubes, onde os treinadores têm pouca margem de manobra e são despedidos após algumas épocas de insucesso, o Liverpool deu tempo ao treinador e permitiu que construísse uma equipa com contratações bem ponderadas. São cinco anos de trabalho que trouxeram uma Liga dos Campeões, uma Supertaça europeia, um Mundial de Clubes e uma Premier League.

A defesa do Liverpool era uma das áreas que mais trabalho precisava quando Klopp chegou ao clube. Van Dijk foi uma contratação estrutural, tornando-se no patrão da defesa e num dos melhores centrais da atualidade. Robertson e Alexander-Arnold são dois laterais versáteis, muito importantes no processo ofensivo e esta temporada já somaram 20 assistências em todas as competições. O guarda-redes Alisson tornou-se numa peça importante, principalmente depois da má exibição de Karius na final da Liga dos Campeões em 2018.

O meio-campo é dinâmico e influente para o modelo de jogo de Klopp. Fabinho é um pilar que dá equilíbrio defensivo à equipa mas também contribui para o processo ofensivo através dos passes verticais. Henderson e Wijnaldum são dois motores, importantes na ideia de pressão do treinador.

O trio de ataque é dos mais prolíferos do mundo. Salah e Mané são goleadores (40 golos somados em todas as competições) e Firmino é um avançado com características diferentes, com qualidade em recuar e participar no processo criativo.

O Liverpool de Klopp é uma equipa focada numa forte pressão após perder a posse de bola, que procura criar superioridades numéricas quando define a zona de pressão e pretende encostar o adversário ao seu próprio meio-campo para tentar sufocá-lo com o seu jogo.

Títulos e futuro promissor

Após ter ficado a um ponto da conquista da Premier League em 2018/2019, o Liverpool vence aquilo que já não era seu há 30 anos. Foram alegrias atrás de alegrias para estes adeptos fiéis e únicos em todo o mundo, pelo apoio que dão à equipa.

Com bastantes jogadores jovens e com um treinador capaz de ficar no clube por muitos mais anos, o Liverpool tem uma grande margem de manobra para continuar a ser uma das equipas mais temíveis na Europa e em Inglaterra.

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