F. C. Porto

Pagamento antecipado e fair-play financeiro da UEFA a acabar

Pagamento antecipado e fair-play financeiro da UEFA a acabar

O administrador da SAD do F. C. Porto, Fernando Gomes, deu a conhecer os pormenores do empréstimo obrigacionista, explicou os pormenores sobre as operações financeiras que os dragões têm no mercado e mostrou esperança que o clube deixe de estar sob o escrutínio da UEFA.

O dirigente começou por lembrar que o pagamento do empréstimo obrigacionista de 35 milhões de euros que vencia em 2020 foi adiado por um ano, devido às incertezas causadas pela pandemia e pelo facto de a banca portuguesa, "pela primeira vez", não se dispôs a financiar o futebol.

"Como era habitual, o F. C. Porto faria, na banca, um empréstimo a curto prazo, chamado um empréstimo ponte, colocaria o dinheiro na conta dos subscritores e iria ao mercado fazer novo empréstimo obrigacionista de 35 milhões de euros. Mas, há um ano as preocupações eram imensas em colocar 35 milhões de euros no mercado. Pela primeira vez, a banca nacional não se dispôs a financiar o futebol", lembrou Fernando Gomes.

"Isso obrigava o F. C. Porto a ter 35 milhões em caixa e, na dúvida sobre como o mercado responderia, fez-nos pensar que não teríamos as condições para fazer o que é habitual - reembolso na altura prevista. Seguimos o que a Lei determina. Fizemos uma assembleia-geral de obrigacionistas e pedimos a autorização - que teve voto favorável - para adiar por um ano este empréstimo", acrescentou.

"Foi o que aconteceu" e, agora, a SAD azul e branca vai antecipar o pagamento que estava previsto vencer apenas a 9 de junho, com Fernando Gomes a apontar o início do próximo mês para a liquidação deste empréstimo e o lançamento de um novo, também de 35 milhões de euros, com um prazo de três anos e juros semestrais a 4,25%, que os dragões esperam que possam subir a 4,75%, algo que depende da aprovação da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

38 milhões de mais-valias

À margem das explicações sobre os empréstimos obrigacionistas, Fernando Gomes manifestou otimismo quanto à possibilidade de o F. C. Porto cumprir o que está previsto e deixar de estar sob as regras do fair-play financeiro da UEFA.

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"Esperamos que sim. Estão criadas todas as condições para que o F. C. Porto possa terminar este ano as regras do fair-play financeiro. Se não houver sobressalto até ao fim da época, é isso que vai acontecer. Tivemos um lucro 35 milhões no primeiro semestre e esperamos que algumas transferências já feitas, mas ainda por concretizar (Danilo e Vitinha), sejam suficientes para o concretizar", resumiu o dirigente, revelando o valor total necessário para que o plano seja cumprido.

"Para correr como desejamos, com a margem de lucro que tínhamos no orçamento, ainda precisamos fazer 38 milhões de mais-valias até ao fim da época. Com o Danilo e o Vitinha [emprestados a PSG e Wolverhampton, respetivamente, mas com opção de compra] praticamente garantiriam isso: se esses se realizarem, ficaríamos tranquilos".

Champions vale 50% do orçamento

Fernando Gomes não se quis alongar em comentários sobre a criação da Superliga europeia e de como a mesma, a confirmar-se, pode afetar as verbas provenientes da Liga dos Campeões, mas não escondeu a importância que a Champions tem nas contas dos clubes, nomeadamente do F. C. Porto.

"Aconteceu tão depressa [o anúncio da Superliga], que ainda não é possível fazer contas. Claro que é uma preocupação enorme não contar com verbas da Liga dos Campeões. Este ano vale quase 50% do nosso orçamento", admitiu o administrador da SAD, confiante que a equipa de Sérgio Conceição repita a presença na prova milionária em 2021/22.

"Não esperamos outra coisa desde início do campeonato. Não entrar é um duríssimo golpe e traz consequências", afirmou, reiterando o valor que o F. C. Porto deixou de encaixar com a ausência de público nos estádios por causa da covid-19: "À data em que deixamos de ter adeptos, eram 27 milhões de euros por época".

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