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Panteão Nacional recebeu o "Pantera Negra"

Panteão Nacional recebeu o "Pantera Negra"

O Panteão Nacional recebeu, esta sexta-feira, os restos mortais de Eusébio, antigo futebolista do Benfica e da seleção e símbolo do desporto português, que morreu a 5 de janeiro de 2014 com 71 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória.

"Eusébio não morreu, só se ausentou fisicamente. Com o seu afastamento, nós é que morremos em parte. No meu caso, uma grande parte. A eternidade rima com ele, rima com imortalidade. Enquanto a bola chora - toda a bola chora -, recordamos o seu sorriso generoso e o sorriso à bola, expressão da nossa tão querida portugalidade", afirmou, no elogio fúnebre, junto ao Panteão Nacional, o amigo e "irmão" Simões.

Perante uma plateia que contou com numerosas figuras do Estado, Simões referiu-se ao facto de o seu companheiro ser "também um campeão no 'fair-play' (desportivismo)", mercedor de uma "unanimidade majestosa", citando ainda personalidades políticas que "o maior herói popular de Portugal no século XX" admirou como Sá Carneiro, Jorge Sampaio ou Álvaro Cunhal, "a despeito das diferenças ideológicas".

"Hoje, eu disputo um dos desafios mais emocionantes da minha vida. Jogo, como sempre fiz, ao lado do Eusébio. Esse lado, que diz vitória, troféu, glória. Não estou a disputar a final dos campeões europeus, nem a meia-final do Mundial, mas estou a homenagear um amigo único, um companheiro inesquecível", tinha começado por dizer o antigo atleta, classificando Eusébio como "o maior e melhor desportista português de todos os tempos".

Simões, depois de se dirigir à mulher de Eusébio, Flora, e aos muitos anos de "sorriso aberto", recordou como era carinhosamente tratado pelo homenageado - "irmão branco" - e fez questão de acrescentar: "és o meu irmão, de todas as cores".

O cantor Rui Veloso interpretou em seguida dois temas - "Nunca me esqueci de ti" e "Mãe África" -, seguindo-se intervenções da Presidente da Assembleia da República e do Presidente da República.

Cavaco destaca Eusébio como "figura nacional"

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O presidente da República destacou que o futebolista Eusébio "é, verdadeiramente, uma figura nacional", no discurso da cerimónia junto ao Panteão Nacional, "muito acima das querelas e das controvérsias" que marcam o quotidiano.

"Eusébio é, verdadeiramente, uma figura nacional", vincou Cavaco Silva, depois de se associar, "com profunda emoção", à decisão unânime da Assembleia da República de conceder honras de Panteão Nacional ao antigo internacional português.

Para o chefe de Estado, "como desportista, como ser humano, Eusébio da Silva Ferreira esteve sempre acima, muito acima, das querelas e das controvérsias que marcam o nosso quotidiano", independentemente de "divisões ideológicas ou simpatias clubísticas".

Durante o discurso do Presidente da República, ouviram-se, ao longe, alguns assobios e gritos de protesto.

Juntaram-se para ver passar Eusébio

Áurea Maurício é vizinha do Panteão, uma "grande benfiquista" e, como tal, não podia perder a oportunidade de se despedir de Eusébio. "Para mim, ele é e será sempre o 'rei'", afirmou, emocionada, recordando o dia de "chuva, a lama e o povo" que encheram o cemitério do Lumiar no dia do funeral do futebolista, há um ano.

De bandeira ao peito, Áurea recordou os jogos com o "rei". "Vi muitos jogos com o Eusébio, dava-nos muitas alegrias. Entrava o 'Pantera Negra' e colocávamo-nos todos em pé a chamar por ele".

João Mendes e João Carrajola, benfiquistas desde sempre, congratulam-se pela rapidez com que jogador foi agraciado com honras de Panteão. Na memória guardam "aqueles pontapés, que eram autênticas bombas" e os guarda-redes que "não tinham luvas para as apanhar".

Entre as cerca de quarenta pessoas que se juntaram em frente ao Panteão - nas traseiras, no Campo de Santa Clara, um ecrã gigante também transmitia a cerimónia -, estava José Luís Miranda, que conheceu Eusébio ainda jovem, quando o "rei" jogava à bola no Sporting de Lourenço Marques, em Moçambique.

"Conheci-o com uns 19 anos e já era um grande jogador, era diferente dos outros", conta. José Luís perdeu o contacto com o futebolista, mas não deixou de acompanhar as conquistas do "rei". "Ele levou o nome de Portugal muito longe, merece estar aqui", defendeu.

Unanimidade

Pouco mais de um ano após a sua morte, os deputados de todas as bancadas partidárias do parlamento foram unânimes, em 20 de fevereiro, na aprovação do projeto de resolução para conceder honras de Panteão Nacional àquele desportista de alta competição, o primeiro afro-português a merecê-las.

Também alcunhado de "King" (Rei) ou "Pantera Negra", ganhou em 1965 a Bola de Ouro, que então distinguia o melhor futebolista europeu a jogar na Europa, e conquistou duas vezes a Bota de Ouro (1967/68 e 1972/73), prémio para o melhor marcador dos campeonatos nacionais europeus.

O túmulo de Eusébio passa a estar junto dos da fadista Amália Rodrigues, da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, do escritor Aquilino Ribeiro, do general e opositor ao Estado Novo Humberto Delgado, dos antigos presidentes da República Óscar Carmona, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Manuel de Arriaga e dos também autores literários Guerra Junqueiro, João de Deus e Almeida Garret.

Sob as naves da Igreja de Santa Engrácia existem também monumentos fúnebres às figuras históricas de Nuno Álvares Pereira, Infante Dom Henrique, Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Luís Vaz de Camões.

*com Lusa

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