Patinagem

Patinadora Ekaterina, de 20 anos, salta para a morte de um sexto andar

Patinadora Ekaterina, de 20 anos, salta para a morte de um sexto andar

Campeã de patinagem de origem russa atravessava vários problemas de saúde e estaria deprimida. Polícia de Moscovo descobre nota de despedida no apartamento da atleta.

A campeã mundial de juniores em patinagem artística de 2017 foi encontrada morta na sexta-feira, 17 de julho, num passeio junto ao prédio onde morava, no centro de Moscovo, capital da Rússia. Ekaterina Alexandrovskaya, que fez 20 anos a 1 de janeiro deste ano, terá saltado de uma janela do seu apartamento, situado num 6.º andar.

Relatórios policiais preliminares, ainda sem dados sobre a autópsia, sustentam que a patinadora pode ter cometido suicídio, "saltando para a morte", mas "as circunstâncias do incidente estão ainda a ser apuradas", disse fonte oficial ao jornal russo de grande circulação "Izvestia".

A agência russa de notícias Tass revelou também que no interior do apartamento de Ekaterina foi descoberta uma nota de despedida escrita à mão - e que continha as palavras "eu amo", mas nada mais se sabe sobre essa carta, a não ser que foi redigida pela própria patinadora.

Ainda segundo a agência Tass, uma fonte da investigação concedeu que "a causa preliminar da morte é o suicídio".

Atravessava fase depressiva
Ekaterina Alexandrovskaya, conhecida como Katia, nasceu na Rússia, mas em 2016 obteve a cidadania australiana e foi em competições pelo seu país adotivo que conquistou títulos internacionais: nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, em PyeongChang, na Coreia do Sul, com o seu parceiro de patinagem no gelo Harley Windsor. A mesma dupla também venceu o título mundial júniores de 2017, na competição que juntou as maiores promessas da patinagem em Taipei, Taiwan. No seu palmarés, conta ainda com dois campeonatos australianos de pares, em 2017 e 2018.

Ekaterina, que começou a patinar aos quatro anos de idade e aos 11 já integrava competições federadas, não estaria a atravessar atualmente um bom momento. Retirada das competições oficiais desde fevereiro, a patinadora de 20 anos lidava com sucessivas lesões que não conseguiu ultrapassar, tendo sofrido em janeiro um ataque epilético; o seu quadro clínico incluía ainda uma depressão que já duraria há cerca de dois anos.

"Arrasados" e "sem palavras"
O atleta australiano Harley Windsor, parceiro de Ekaterina desde 2016, e que a levou a mudar a nacionalidade de russa para australiana, já reagiu à morte da colega e escreveu na rede social Instagram que estava "arrasado com a notícia da morte de Katia" e que "os prémios que alcançamos durante a nossa parceria é algo que nunca esquecerei e sempre manterei perto do meu coração".

Com uma foto sorridente dos dois, publicada no sábado, dia a seguir à morte da atleta, Harley escreveu ainda: "Não há palavras para descrever o que sinto. Descansa em paz, Katia".

Também Ian Chesterman, chefe de missão da equipa australiana que foi aos jogos de inverno de Pyeongchang, disse que a notícia era "um golpe terrível para todos aqueles que conheciam a patinadora". Chesterman acrescentou que "é muito triste perder a Katia, que era uma pessoa vibrante e talentosa e uma atleta incrível. Ela era muito humilde, mas incrivelmente determinada a ser a melhor que poderia ser". E fecha o seu depoimento sublinhando que "este é outro lembrete oportuno de quão frágil é a vida humana. Descansa em paz, doce Katia".

Geoff Lipshut, diretor-executivo do Instituto Olímpico de Inverno da Austrália, disse que Ekaterina terá sempre um lugar especial na história do desporto australiano.

"Katia e Harley foram os primeiros campeões mundiais de patinagem artística da Austrália. Ela adotou este país para realizar os seus sonhos desportivos. A notícia é demasiado triste, os meus pensamentos estão com a família de Katia na Rússia, com Harley e com a comunidade de patinagem da Austrália".

Fãs despedem-se no Instagram
A página pública de Ekaterina Alexandrovskaya no Instagram, onde divulgava regularmente os seus feitos desportivos e publicava fotos em poses artísticas, e em lazer, com Harley Windsor, é agora o local oficial de despedida dos fãs.

Junto à última foto publicada por Katia, que é já de novembro do ano passado, uma foto noturna tirada na baixa moscovita junto à Evolution Tower, uma torre célebre de arquitetura moderna, laminada e torcida, em ferro e vidros espelhados, há agora centenas de comentários a lamentar a morte da atleta, multiplicando-se as bênçãos, pequenas orações e emojis de mãos em prece, choro, pequeninas estrelas e corações.

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