Futebol

Pepa recordou episódio sofrido no início da carreira

Pepa recordou episódio sofrido no início da carreira

No dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, o treinador dos minhotos revelou momento vivido aos 18 anos.

No Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, Pepa, treinador do Vitória de Guimarães, recordou e deu a conhecer, através de um post na sua conta do Instagram, de um episódio de discriminação sofrido no início da carreira como jogador de futebol.

O responsável técnico dos minhotos congratulou ainda a Liga Portugal pelo lançamento da campanha contra o racismo.

"Com 18 anos já tinha contrato profissional. Ganhava bem na altura, 1200 contos por mês, 6 mil euros, e decidi comprar casa. Andava a ver casas e fui a um sítio vestido de uma forma descontraída, como um miúdo de 18 anos se veste. Tinha um chapéu para trás, brinco, estava com roupa informal. Parei o carro perto de um prédio e dirigi-me àquelas casinhas onde costuma estar alguém para dar informações. Cheguei lá e comecei a falar com um senhor.

"Boa tarde, gostava de ver um apartamento." Ele olhou-me de alto a baixo e perguntou: "gostava de ver um apartamento?" E eu: "Sim, gostava de ver, se for possível." E a resposta dele foi que os apartamentos eram muito caros para mim. Disse-lhe: "Nem perguntei o preço, só queria ver. É que posso nem ter interesse no apartamento, independentemente do valor." Disse novamente que eram muito caros e voltou a cara.

O normal ali até teria sido eu reagir e se calhar discutir, mas por acaso não, limitei-me a ir-me embora. Depois comentei com um amigo mais velho, que me disse que estive muito bem e acrescentou: "Vais vestir a melhor roupa que tens, não levas o chapéu, tiras os brincos e vamos lá os dois."

Passados dois ou três dias voltei lá com ele e apanhamos o mesmo senhor. Já não me reconheceu, tratou-me de uma forma bastante atenciosa, muito prestável, depois esse meu amigo puxou conversa e deu a entender que eu era jogador de futebol, e o homem a partir daí então já não sabia como me tratar: jogador de futebol, bem vestido...

PUB

Até que lhe perguntei: "Você não se lembra de me ver aqui há uns dias, com um chapéu e brincos?" Ele ficou todo atrapalhado, se tivesse ali um buraco escondia-se! Depois disse-lhe tudo, mas com respeito. Ali senti na pele várias coisas, como o estereótipo que se cria em relação à roupa que se usa e também senti racismo.

Acredito que a cor da minha pele tenha influenciado o comportamento daquele profissional que estava ali para vender casas. Queria apenas comprar uma casa".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG