Reação

Piloto ajudado em 2016 homenageia Gonçalves: "Etapa de hoje foi das mais rápidas"

Piloto ajudado em 2016 homenageia Gonçalves: "Etapa de hoje foi das mais rápidas"

O piloto de motos austríaco Matthias Walkner, que em 2016 foi ajudado por Paulo Gonçalves durante um acidente no Rali Dakar, classificou como "trágica" a morte do português, elogiando a sua simpatia e prestabilidade.

"É exatamente assim que te vou lembrar", começa por escrever Walkner numa mensagem publicada nas redes sociais, ilustrada por uma foto na qual aparece junto de Paulo Gonçalves, sorridente, no pódio de uma competição.

"Isto é horrível. Os resultados e a luta por um lugar no topo, de repente, passam para segundo plano! O Paulo era um veterano, aqui. Ele parou e ajudou-me quando tive um acidente em 2016, era um atleta incrivelmente simpático, prestável e justo", continuou, referindo-se a um gesto de desportivismo demonstrado por Gonçalves no Dakar de há quatro anos, disputado entre Uyuni, na Bolívia, e Salta, na Argentina.

Na altura, "Speedy" Gonçalves - como era conhecido por causa da sua velocidade, numa referência ao desenho animado Speedy González - parou para ajudar o acidentado Matthias Walkner, que partiu o fémur na queda. Sem olhar para a classificação, Gonçalves permaneceu mais de dez minutos parado com Walkner, um altruísmo que lhe poderia ter custado a liderança da geral. Na altura, recusou o título de herói: "Não sou um herói, sou um ser humano com respeito pelos outros. Fiz aquilo que me competia, se fosse ao contrário acredito que fariam o mesmo por mim. A nossa vida vale mais do que qualquer vitória".

A atitude do português foi reconhecida pela organização da prova, que reajustou a classificação e atribuiu a terceira posição ao português, resultado que o manteve na liderança da classificação das motos. E ainda pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), que lhe atribuiu nesse ano o Prémio Ética no Desporto, facto entretanto recordado pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo.

PUB

Matthias Walkner, que está a disputar a 42.ª edição do Dakar, conta ainda na nota que Paulo Gonçalves lhe deu "dicas no início da carreira" e que, há alguns dias, lhe tinha dito que esta seria a sua última temporada."É tão trágico que nem sei o que dizer", lamenta.

"Estamos todos os dias 15 a 25 km/h acima da velocidade média aceite pelo organizador. A etapa de hoje foi uma das mais rápidas que já conduzi num rali. Acho que atingimos uma média de cerca de 125 km/h. 546 km em menos de quatro horas e meia. Desses, 90% foram fora de pista, o que já é próximo do limite do aceitável. Sabemos que o menor erro pode ter consequências terríveis", escreve ainda o austríaco na publicação, indicando que o acidente poderá ter sido causado por um excesso de velocidade.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG