F. C. Porto

Pinto da Costa: "Os bancos financiavam o povo e não o contrário"

Pinto da Costa: "Os bancos financiavam o povo e não o contrário"

No primeiro episódio do programa "Ironias do Destino", em que o Porto Canal faz uma viagem pelos quase 40 anos de presidência, Pinto da Costa recordou a importância da mãe na decisão de se candidatar à liderança do F. C. Porto, deixou críticas ao estado atual da banca nacional e, de forma velada, a Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente mais titulado do mundo e há mais tempo no cargo, começou por lembrar que nunca teve a intenção de assumir os destinos azuis e brancos - "era suposto ser o Manuel Couto, mas ele disse-me: "Ó Jorge, o clube precisa é da tua cabeça e da minha carteira"", contou - e que só decidiu concorrer às eleições de abril de 1982 depois de pedir conselhos a alguém muito especial.

"Ouvia sempre a opinião da minha mãe e, um certo sábado, fui almoçar a casa dela e ela perguntou-me se ia para a Direção. Perguntei como sabia e ela disse que tinha lido no Comércio do Porto, o jornal que lia, e ouvido na Bola Branca da Rádio Renascença. Perguntei-lhe o que achava e ela respondeu: "gostas muito do F. C. Porto, eles gostam de ti e esse é o teu destino. É a tua vida, a tua paixão". Foi, na minha opinião, uma ironia do destino: a pessoa que eu achava ser decisiva para não ir, foi quem me convenceu a candidatar-me à presidência", contou Pinto da Costa.

O programa eleitoral era ambicioso e tinha como principais objetivos os regressos de José Maria Pedroto e Fernando Gomes, além de levar o clube a uma final europeia. Aliás, foi à boleia da novela que ditou a contratação de Fernando Gomes ao Sp. Gijón que o presidente dos dragões criticou o estado dos bancos portugueses.

"O presidente do Gijón ligou-me a dizer que o pagamento tinha de ser em "cash". Eu disse "claro que sim" e não tínhamos um escudo nas contas. Falei com um amigo meu, administrador do Banco Português do Atlântico - nessa altura eram os bancos que financiavam o povo e não o contrário -, e disse que precisava de 20 mil contos. Depois de uma livrança assinada pelo Neca Couto tudo ficou acertado. O presidente do Gijón, que conhecia as nossas dificuldades, ficou muito admirado e eu só lhe disse: "dinheiro não nos falta"".

Pinto da Costa recordou, ainda, a forma como conheceu o antigo Presidente da República Ramalho Eanes e, entre muitos elogios, ao General, deixou uma crítica implícita a Marcelo Rebelo de Sousa.

"Foi importantíssimo e o conhecimento que travei com o General Eanes foi um dos melhores momentos da minha carreira. Nessa altura, o Presidente era realmente Presidente de todos os portugueses e o garante da democracia. Não era por andar a tirar selfies, dar beijinhos ou fazer vontades ao Governo. Era O presidente", afirmou o líder dos dragões, terminando: "Tenho por ele muita amizade, respeito e admiração. É o português número 1 desde o 25 de Abril".

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