F. C. Porto

Pinto da Costa: "Quarenta anos são uma boa loucura"

Pinto da Costa: "Quarenta anos são uma boa loucura"

O presidente do F. C. Porto comemora, este sábado, quatro décadas desde que tomou posse pela primeira vez e, no final do jantar de comemoração que lhe foi oferecido pela Comissão da Recandidatura, o líder dos dragões garantiu que não vai ter parte ativa na escolha do sucessor. Entre críticas ao advogado - "um racista" - que chamou "encantador de serpentes" a Taremi, lembrou a boa relação que tem com Rui Costa e até desejou sorte ao presidente do Benfica. "Desde que não ganhe ao F. C. Porto".

Depois de um discurso em que lembrou o papel da mãe na decisão de aceitar ser candidato a presidente, em 1982, Pinto da Costa voltou a falar do "destino" que o conduziu à liderança e não hesitou quando questionado sobre qual a prenda que gostaria de receber pelas quatro décadas na cadeira azul e branca.

"O título deste ano", respondeu, antes de explicar que, no meio de tantos títulos, 2021/22 poderá ser muito especial: "O título parece estar cada vez mais perto e, se conseguirmos a dobradinha à moda do Porto, será uma época inesquecível para mim".

Dando mérito aos atletas pelos mais de 1400 títulos que colecionou neste período, Pinto da Costa também abordou o futuro e garantiu que vai tentar manter grande parte do plantel que está às ordens de Sérgio Conceição.

"Espero que seja possível segurá-los, mas ninguém consegue segurar sempre todos os jogadores, mas a vontade é mantê-los", garantiu, antes de explicar o que é um jogador "à Porto".

"Tem de ter qualidade e disponibilidade para pensar que, acima de tudo, o objetivo é ganhar. Não admito que um jogador que venha para o F. C. Porto não tenha o intuito de ganhar e que não ponha a equipa acima dos seus interesses pessoais. Felizmente temos uma equipa com esse espírito e por isso estou confiante que o futuro vai ser bem-sucedido", referiu.

Sobre as críticas feitas ao avançado iraniano do F. C. Porto Mehdi Taremi, o líder portista lamentou o silêncio de boa parte da sociedade.

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"Não foram muitas críticas. Foi um indivíduo, que por acaso até parece que é advogado, que teve um ato racista. Não o censuro a ele, porque racistas, infelizmente, há muitos. Censuro é todos aqueles que censuram tanto o racismo e criticam os racistas e, não sei se é por aquele ser o presidente dos Stromps, passaram por cima e fizeram de conta que não se passou nada", referiu, antes de voltar ao assunto.

Encantador de lagartos

"Um advogado ter aquele comportamento e palavreado é muito triste e reflete o espírito e mentalidade de algumas pessoas. O Taremi passou por cima disso: chamou-lhe encantador de serpentes, mas se calhar ele é encantador de lagartos e também encanta todos os animais que gostam de futebol, porque é um grande jogador", explicou, antes de ser questionado sobre as críticas que lhe foram feitas pelo presidente do Sporting, Frederico Varandas, após o jogo do campeonato.

"Nós temos dois ouvidos. Um é para entrar e outro para sair. Depois, pode ser mais ou menos rapidamente ou até podem não entrar, porque estamos com um princípio de otite. Para mim, isso não é um problema. Fico mais preocupado quando ouço, como ouvi aqui, elogios e quando me tratam por vossa excelência. Isso é que me deixa enrascado. O resto existe em toda a parte, não ligo. Olhe, gosto de ser insultado no final dos jogos: é sinal que ganhamos".

Puxando o filme atrás, Pinto da Costa não teve dúvidas em escolher a principal vitória alcançada ao longo de 40 anos.

"O melhor momento foi a vitória em Viena. O F. C. Porto já não era um desconhecido porque tinha estado em Basileia. No programa eleitoral de 1982 tinha um ponto em que mostrávamos o objetivo de estar numa final europeia, nem sequer era vencer. O meu amigo Fernando Pimentel, que me ajudou a fazer o programa, disse: "Jorge, é melhor tirar isto, porque é impossível". E eu respondi: impossível não existe, pode é demorar mais anos, mas vamos chegar lá. Não demorou muito, porque ao fim de dois anos estávamos em Basileia e, três anos depois, defrontámos um monstro chamado Bayern de Munique em Viena, com os portugueses em minoria nas bancadas e vencer a prova daquela maneira tão emocionante e justa... foi o dia mais feliz como presidente do F. C. Porto", garantiu, antes de olhar para o futuro.

Sucessão livre e independente

"Como já referi, eu não vou anunciar a minha despedida, vou dizer que já saí. Pode ser antes, pode ser no final do mandato. Quando eu vir que não sou útil ao F. C. Porto, que não tenho capacidade para gerir um clube tão grande como este, serei eu a tomar a decisão. Não preciso que me mandem embora. Quarenta anos à frente de um clube é uma loucura. Uma boa loucura, mas uma loucura. Não vou continuar muito mais tempo, nem ninguém tem direito a exigir que eu continue mais tempo. Antes de sair, queria deixar se não pronto, em bom andamento, o centro de treinos", afirmou, voltando a referir que não se pronunciará sobre o seu futuro sucessor.

"Espero que quem me venha a suceder, venha com espírito de servir o F. C. Porto, que ame o clube, mas não vou dizer que esteja lá 40 anos, que isso é impossível, acho que nunca mais se vai repetir. Não tomarei nenhuma posição sobre candidatos, não darei uma palavra se houver mais do que um, mas posso dizer que, a partir do dia em que for eleito, eu serei seu apoiante. Mas retirar-me-ei da vida ativa no desporto para não ter influência e para que o meu fantasma não esteja presente em quem quer que seja. Tenho a certeza que quem vier, virá com bom espírito. Se não acontecer, sentir-me-ei traído depois destes 40 anos".

Boa sorte a Rui Costa, mas...

Pinto da Costa foi, ainda, questionado sobre a chegada de Rui Costa à presidência do Benfica e deixou clara a posição: "Não me diz respeito, mesmo tendo uma boa relação com o Rui Costa, que conheço há dezenas de anos. Mesmo na fase mais agressiva com o Benfica, sempre nos cumprimentamos amigavelmente, temos boa relação, mas não é um assunto que me diz respeito. Diz aos benfiquistas, que escolheram o Rui Costa. Pessoalmente, gostava muito que o Rui Costa tivesse sucesso, mas que não ganhe ao F. C. Porto, porque é um homem do futebol e um símbolo do Benfica".

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