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Portugal goleia Espanha por 4-0

Portugal goleia Espanha por 4-0

A selecção portuguesa de futebol venceu hoje, quarta-feira, a Espanha, campeão europeia e mundial, por 4-0, graças a uma noite de grande inspiração individual e colectiva, obtendo a maior vitória de sempre sobre os rivais Ibéricos.

A equipa das "quinas" conseguiu a proeza de travar a "máquina" do meio campo do FC Barcelona e da selecção espanhola, graças a uma pressão alta exercida logo à entrada da metade do terreno do adversário, bloqueando-o, por um lado, e obrigando-o a cometer erros, por outro, permitindo inúmeras recuperações de bola e lances de contra-ataque.

Nesse sentido, a acção do colectivo foi determinante, mas houve algumas "pedras" que desempenharam um papel mais preponderante, João Moutinho acima de todas, como primeiro actor no "pressing" sobre Busquets e Xavi, com um tempo de entrada aos lances revelador da sua inteligência e percepção de jogo.

Além de Moutinho, Carlos Martins, que assinou o seu segundo golo na selecção portuguesa, também teve um papel influente na eficácia da pressão alta, mas ao contrário de Moutinho, que esteve soberbo a pressionar, recuperar e lançar o ataque, o médio benfiquista esteve infeliz nas transições ofensivas.

Não menos importante foi a acção de sacrifício de Nani, a "baixar" para equilibrar o meio campo quando a selecção espanhola tinha a posse de bola e de Raul Meireles, como "pivot" defensivo.

Foi uma noite de grande inspiração da equipa das "quinas", e nem o facto dos jogadores espanhóis terem encarado o jogo de forma menos intensa e competitiva do que o fariam se o jogo fosse "a doer", diminui o mérito da vitória.

A partir do momento em que Portugal "emperrou" a "máquina de jogar futebol" que é a selecção espanhola, graças a uma excelente organização defensiva e a uma pressão agressiva, criou condições para soltar a magia de jogadores com o talento de Ronaldo, que terá feito os melhores 45 minutos ao serviço da turma das "quinas", e de Nani, que fez "gato sapato" de Capdevilla e defesa espanhola.

Nani que impediu, por estar em posição irregular, Ronaldo, aos 37 minutos, de fazer um golo fenomenal, que faria estrondo por essa Europa fora, ao cabecear a bola para o fundo das redes quando esta ia entrar na baliza, "picada" pelo jogador do Real Madrid.

No entanto, Portugal chegaria ao golo, merecido, antes do intervalo, através de Carlos Martins, numa altura em que tinha o jogo controlado, com a Espanha incapaz de criar linhas de passe em zonas mais adiantadas e apoiar o desamparado David Villa.

Na segunda parte o jogo manteve o mesmo cariz, Portugal continuou a jogar de forma compacta, e foi a altura de Nani "abrir o livro" e "partir" literalmente a defesa espanhola, com os seus dribles e mudanças de velocidade, por vezes exagerando nos preciosismos, como aquele "chapéu" que quis fazer a Casillas, aos 52 minutos.

Os dois golos de Postiga, aos 49 e 68 minutos, cuja opção para titular foi muito bem vista, por ser tecnicamente superior a Hugo Almeida e saber jogar de costas para a baliza, foram o corolário da supremacia lusa.

O primeiro golo de Postiga teve a colaboração de Sérgio Ramos, com um intervenção infeliz, embora a bola tenha ganho claramente a direcção da baliza depois do avançado do Sporting ter feito o toque em habilidade com o calcanhar. 

A cereja no topo do bolo seria posta por Hugo Almeida, quase na derradeira jogada do desafio, num lance de contra-ataque que fixou o resultado final, o melhor de sempre frente à Espanha, superando o 4-1 alcançado em 1947, no Estádio Nacional.

Um resultado inesperado, apenas quatro meses após a eliminação de Portugal nos oitavos de final do Mundial da África do Sul frente á selecção espanhol, por 1-0.

O encontro serviu para promover a Candidatura Ibérica à organização do Mundial de 2018 e foi ainda disputada no âmbito nas comemorações do Centenário da República.

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