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Real Madrid em crise poupa nas contratações à espera do salvador Mbappé

Real Madrid em crise poupa nas contratações à espera do salvador Mbappé

O Real Madrid foi um dos clubes que mais impacto sofreu nas receitas anuais devido à pandemia da covid-19. Habituais esbanjadores de dinheiro no mercado de transferências, os espanhóis não contratam desde janeiro de 2020 e estão a aguardar por Mbappé, que pode chegar como um salvador.

O projeto do Real Madrid na era de Florentino Pérez baseou-se em fazer avultados investimentos de forma a contratar os melhores jogadores do mundo. No início do milénio as contratações de craques como Luís Figo, Beckham, Ronaldo e Zidane iniciaram a fase dos Galáticos. Nos últimos 10 anos, os "Blancos" mantiveram esta filosofia e recrutaram futebolistas como Cristiano Ronaldo, Bale, Modric, Kaká, Hazard, entre outros. No entanto, o paradigma da equipa de Madrid parece estar a mudar.

Desde janeiro de 2020 que o Real Madrid não despende dinheiro numa contratação (Alaba chegou a custo zero), sendo que a última de "peso" foi a de Eden Hazard, proveniente do Chelsea por 100 milhões de euros. A atitude no mercado de transferências passou, nos últimos anos, pela compra de jovens talentos, com objetivo de os valorizar e os tornar figuras do clube, ao invés de esperar que se assumam como craques mundiais noutros lugares, para depois se juntarem à equipa madrilena por valores elevados. Vinicius Junior, Rodrygo, Valverde e Militão são alguns dos exemplos.

No entanto, a situação financeira do Real Madrid tem vindo a deteriorar-se e uma amostra disso foi a saída de Cristiano Ronaldo. Segundo Dermot Corrigan, correspondente de futebol espanhol no jornal online britânico "The Athletic", o jogador português pediu a Florentino Pérez um aumento de salário, que lhe foi negado. Perante isso Ronaldo admitiu querer sair e ninguém tentou evitar a transferência de um dos melhores jogadores da história do Real.

Impacto da pandemia

Uns mais, outros menos, todos os clubes foram afetados pela pandemia. Os jogos sem adeptos causaram impacto nas finanças das equipas, que, sem as receitas de bilheteira, ficaram numa situação económica mais precária. Florentino Pérez, presidente do clube, anunciou que o Real Madrid teve perdas de cerca de 300 milhões de euros, desde o início da pandemia.

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A remodelação do estádio Santiago Bernabéu também motivou o clube a ter uma postura mais cautelosa com as despesas. O projeto é ambicioso e quer fazer do recinto num dos centros mais evoluídos a nível tecnológico, que no futuro poderá trazer ainda mais espetadores à capital de Espanha. No entanto, o empréstimo de mais de 700 milhões de euros contraído para pagar esta obra não deixa grandes quantias ao clube para a compra de jogadores.

Modelo de negócio e vendas como solução

O modelo de negócio do clube é diferente do de outros gigantes europeus. Em Espanha, tanto o Real como o Barcelona são maioritariamente detidos pelos sócios, o que implica que não podem gastar mais do que aquilo que faturam. Com esta organização, não têm donos multimilionários que possam investir livremente e tornar a situação financeira mais saudável. Isto é um contraste com aquilo que se passa com, por exemplo, o PSG ou o Manchester City, detidos por grupos de investidores privados e que injetam capital para transferências ou cobrem as despesas que possam contrair.

Para combater os prejuízos, o Real Madrid cortou em alguns salários, contraiu empréstimos de bancos e procurou novos patrocinadores. Vendeu também uma grande parte dos direitos comerciais à empresa norte-americana Providence, por 200 milhões de euros, num negócio até 2027. O clube pretende fazer um acordo com o projeto Qiddiya, da Arábia Saudita, que pode trazer 15 milhões de euros por ano a Madrid, segundo explica o portal "Managing Madrid".

No atual mercado de transferências o Real Madrid apostou em vender alguns jogadores para equilibrar as contas da equipa. Raphael Varane juntou-se ao Manchester United por 50 milhões de euros, Odegaard está próximo do Arsenal por 35 milhões, Brahim Diaz e Kubo foram emprestados e Sérgio Ramos saiu a custo zero, algo que aliviou bastante a folha salarial do clube.

Poupar para Mbappé

Kylian Mbappé é o grande alvo do Real Madrid já desde a época passada. O francês termina contrato no final da presente temporada e, segundo a imprensa internacional, não pretende renovar com o PSG e já admitiu a vontade em assinar pelo clube espanhol. Os espanhóis poderiam tentar chegar a acordo com os franceses para comprar o avançado já esta temporada, mas o mais provável será tentar garantir a contratação no próximo verão.

Segundo Dermot Corrigan, o Real Madrid está a preparar tudo "como se (Mbappé) viesse salvar a equipa", disse no podcast do The Athletic. É o alvo prioritário e os "blancos" não pretendem gastar grandes quantias de dinheiro por outro jogador. "O feeling em Madrid é que ele quer vir. Se não houver Mbappé este ano, não vão gastar para ter fundos para o contratar na próxima época".

A contratação de Mbappé não só seria positivo a nível financeiro, devido à atratividade que o jogador pode trazer (juntamente com o fator do novo estádio) e receitas de camisolas e publicidade, mas também no campo desportivo. Poderia tornar-se a referência que o Real Madrid não tem desde a saída de Cristiano Ronaldo, sobretudo depois da desilusão que foi Hazard, e aos 22 anos, ser uma figura para o futuro (e presente) do clube.

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