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Renascente de São Teotónio faz o Alentejo de lés a lés

Renascente de São Teotónio faz o Alentejo de lés a lés

Equipa de Odemira enfrenta viagem de 230 quilómetros, do litoral atlântico até à raia com Espanha, para defrontar o Barrancos no domingo, dia 16, nos oitavos de final da Taça Distrito de Beja

A segunda competição mais importante da Associação de Futebol de Beja, no escalão sénior, tem no domingo, dia 16, um jogo em tudo inusual, que coloca frente a frente equipas de dois concelhos que se "tocam" pelos extremos, uma na raia com Espanha e a outra junto ao oceano Atlântico.

O sorteio dos oitavos de final da Taça Distrito de Beja juntou Barrancos FC e GD Renascente de São Teotónio (Odemira), obrigando os visitantes a uma travessia que já apelidaram de "Alentejo de lés a lés".
Para se apresentar no Municipal de Barrancos, a equipa de Odemira tem uma verdadeira maratona para cumprir. O autocarro vai sair de São Teotónio às 8 horas e pela frente tem 230 quilómetros - cruzando sete concelhos: Odemira, Ourique, Castro Verde, Beja, Serpa, Moura e Barrancos -, que deverão levar quatro horas a cumprir.

Pelo caminho haverá o almoço, às 11.15 horas, em Safara, Moura, e depois até à vila raiana pelo trajeto mais curto, mas mais sinuoso, são 27 quilómetros, enquanto que por Amareleja, percurso com menos curvas, são 40.

Findo o jogo, e partindo do princípio que não há prolongamento, o Renascente faz-se de novo à estrada - o jantar será em Serpa -, estando a chegada a São Teotónio prevista para cerca da meia-noite. Mas quatro jogadores e o técnico Luís Miguel têm uma dura tarefa rodoviária mais dura para cumprir desde que saem até que regressam a casa. Diogo Prima leva um carro do clube para Portimão e depois apanha três colegas pelo caminho. Sairá de casa às 6 horas e só volta quase 24 horas depois, às duas da madrugada de segunda-feira.

O Barrancos e Renascente jogam em escalões diferentes do distrital de Beja. Os da raia de Espanha são líderes da Série A da 2.ª Divisão e os vizinhos do Atlântico estão no 8.º lugar na prova máxima, a 1.ª Divisão.

Equipa de jogadores-trabalhadores

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O plantel do Renascente é composto por 20 jogadores, seis deles estrangeiros. Com a exceção de quatro atletas, que residem e trabalham no Algarve (Portimão e Odiáxere), os outros trabalham na agricultura, nas estufas existentes em São Teotónio. O treinador-adjunto Sandro Calhegas é militar da GNR e está colocado no posto de Odiáxere.

Luís Rosa, presidente do Renascente, fala de uma "viagem muito longa, só comparada às deslocações do Portimonense a Chaves", salientando que para um clube amador "é complicado dormir em Beja ou Moura, pois o dinheiro é escasso. Ainda assim vamos gastar 500 euros só neste jogo". "No campeonato, os objetivos passam pela permanência. Na taça? Temos o sonho, há muitos anos, de disputar a final. Na 1ª eliminatória derrotámos o Moura, candidato a subir aos Nacionais, por 4-2. Por isso, temos sérias aspirações", finaliza Luís Rosa.

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