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Reportagem: O sonho da vitória bateu na rede...

Reportagem: O sonho da vitória bateu na rede...

À sala de convívio do Clube Escola de Ténis de Oeiras vão chegando alunos, professores ou simples amantes da modalidade.

Sentam-se nos sofás ou nas cadeiras, em frente ao televisor, à espera do primeiro serviço de um jogo muito especial. Do jogo que irá colocar frente-a-frente Frederico Gil, um filho da casa e o melhor tenista português de sempre na lista ATP (74.º lugar), e o espanhol Rafael Nadal, número um do Mundo.

As aulas foram suspensas para que todos pudessem ver em directo um autêntico duelo ibérico. "Vamos ter uma aula ao vivo, com o nosso melhor jogador", diz João Antunes, que faz parte da equipa técnica que acompanha Frederico desde 2002, ano em que ele passou a treinar no CETO.

Em Miami, o português marca o primeiro ponto e na sala de convívio todos rompem numa enorme salva de palmas. "Isto já está ganho!", ouve-se alguém dizer. Lá fora, joga-se uma partida de pares, que, de vez em quando, também arrebata uma pequena ovação.

Mas as atenções estão, mesmo, concentradas no ecrã de televisão. João Antunes raramente desvia o olhar e chega a dar conselhos a Frederico, como se este pudesse ouvi-lo, lá longe, nos Estados Unidos.

Durante o primeiro set, ouvem-se muitos aplausos e palavras de encorajamento, principalmente quando o filho da casa consegue, por duas vezes, estar à frente de Nadal no marcador. Nessas alturas, a esperança ganha força.

No segundo set, Frederico Gil quebra. E nunca mais consegue recuperar. O cansaço toma conta do português. "Já está muito cansado para reagir rápido", afirma um dos professores. Acaba por perder, mas de cabeça erguida. O sonho da vitória bate na rede.

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O nervosismo e a ansiedade que tomavam conta de todos no início da partida deram lugar ao desânimo e a uma certa frustração. Os presentes foram unânimes em classificar o desempenho de Frederico Gil, 23 anos, como de grande excelência, ainda para mais tendo em conta que o adversário foi o número um mundial.

"Ele teve uma boa prestação. Jogou sempre muito descontraído, se é que alguém pode jogar descontraído contra o Nadal", dizia Duarte Drago, 16 anos, um apaixonado pelo ténis "desde muito novo". O treinador corrobora: "O Frederico teve uma atitude muito agressiva, positiva e determinada. Tudo isto é novo para ele, mas ele ainda tem uma margem de progressão muito grande".

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