Desporto

Reyes de laboratório

José António Reyes é o cérebro mais importante do "Benfica Lab" que ajudou a equipa, na Figueira da Foz, a quebrar um jejum de três meses sem triunfar fora, com mais dois golos de bola parada, iniciados pelo espanhol.

Os números não concedem margem de dúvida. O Benfica é um conjunto forte nas bolas paradas - livres, cantos e grandes penalidades - e já marcou mais de um terço dos tentos na Liga - 13 em 36, ou seja 36,1%, concretamente - através dessa vertente, cada vez mais fundamental no futebol moderno.

Frente à Naval, anteontem à noite, os encarnados denotaram mais dois exemplos de preparação técnica de lances pensados por Reyes e concluídos por Aimar e Katsouranis.

A relação entre o perfil do mentor e a diversidade dos finalizadores revela uma tendência clara da estratégia benfiquista. De facto, não existe, como anteriormente, um envolvimento e desenho particularmente nítidos, como no célebre livre de Camacho, gerador de largos elogios de José Mourinho. Todavia, há uma marca que sugere a execução quase exclusiva de Reyes e a existência de um leque variado de elementos com a função de concretização.

Das nove assistências da equipa - livres e cantos -, sete são da responsabilidade do espanhol. Aimar frente ao Sporting de Braga e Carlos Martins, na acção que proporcionou a Sidnei o segundo golo do dérbi ante os leões, na Luz, são responsáveis pelas excepções à regra do especialista.

À esquerda, na direita ou no centro, Quique atribuiu ao número seis a função de marcar, mas não privilegia, aparentemente, qualquer finalizador: Luisão (duas vezes), Sidnei, Suazo, Aimar, Katsouranis e Yebda deram sequência aos passes teleguiados do extremo, nos embates frente a Naval, Marítimo, Vitória de Guimarães e F. C. Porto.

Elemento curioso é o facto de a lista de sete elementos - incluindo David Luiz no embate ante os bracarenses - não integrar Óscar Cardozo.

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A maior torre encarnada, 1,93 metros de altura, não aparenta nutrir especial apetência para este tipo de lances (cantos e livres indirectos). A falta de velocidade na movimentação ou a apertada atenção dos defesas talvez expliquem a ausência.

O avançado é, no entanto, exímio na marcação de grandes penalidades: duas até ao momento, frente a Paços de Ferreira e Académica. A mesma marca de Reyes (com o Marítimo e o Sporting).

Por outro lado, estranha-se que o conjunto ainda não tenha alcançado qualquer tento na marcação de livres directos - entenda-se golo através de um remate do marcador da falta. Uma lacuna a estudar face ao antagonismo conferido pela existência de executantes de nível: Cardozo, Aimar, Carlos Martins entre outros.

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