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Ruben Faria honrado por poder disputar Dakar como piloto prioritário

Ruben Faria honrado por poder disputar Dakar como piloto prioritário

O "motard" português Ruben Faria (KTM) revelou-se honrado com a oportunidade de poder disputar a próxima edição do rali todo-o-terreno Dakar como piloto prioritário na equipa KTM, durante a sua apresentação para a prova.

"É uma honra e uma grande oportunidade poder assumir o lugar de piloto prioritário no seio da equipa que mais vitórias conquistou no Dakar. Nos últimos 12 anos foi sempre a KTM a vencer e, depois de quatro anos em que trabalhei para ajudar o Cyril (Despres) a vencer por três e terminar outra em segundo, chegou a minha hora. No ano passado fui segundo e quero honrar essa prestação, disse no final da apresentação, que decorreu, segunda-feira, em Lisboa.

Após quatro anos de ligação com o francês Cyril Després, que saiu para a Yamaha, o piloto de Olhão enfrenta no início de janeiro a sua primeira participação como piloto prioritário na equipa KTM e tem como objectivo principal "honrar" a confiança depositada pelo construtor austríaco, vencedor da prova nos últimos 12 anos.

"Agora vou gerir a minha própria corrida, sem depender do resultado ou estratégia de outro piloto. Aprendi muito com o Cyril nesse capítulo e espero agora poder usufruir de toda a experiência que ganhei neste últimos quatro anos. No ano passado, fui segundo e naturalmente que gostava de vencer, mas o Dakar é uma prova muito longa e exigente e são muitas as variáveis que por vezes não controlamos", referiu, não escondendo que as responsabilidades agora são maiores, mas está preparado para as assumir.

O piloto foi, ao longo do ano de 2013, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da mais recente evolução da KTM 450 Rallye e mostra-se bastante confiante com a renovada moto da casa austríaca.

"A KTM venceu nos últimos 12 anos e a nova moto é de alguma forma mais uma evolução da anterior. Pessoalmente, sinto-me mais à vontade com esta moto, mais adequada a um piloto com a minha estatura e peso do que a versão anterior. Esta nova Rallye é mais estreita, mais leve e mais fácil de colocar na trajetória do que a moto anterior, por isso sinto-me mais à vontade com a mesma", sublinhou.

Para Ruben Faria, o percurso do Dakar2014, que arranca no próximo dia 5 de janeiro em Rosário, na Argentina, será o grande adversário de todos os pilotos, especialmente em território da Bolivia, que pela primeira vez recebe a prova.

"É a grande novidade da prova e apenas as motos e os quads vão percorrer os percursos aí desenhados -- os automóveis e os camiões não visitam a Bolivia -- e teremos nessa passagem uma etapa maratona, onde não teremos assistência exterior, pelo que teremos que ter especial atenção nessa fase da prova, porque vamos competir a cerca de 4.000 metros de altitude e vamos encontrar novos pisos", detalhou o piloto.

Com uma lesão no pulso sofrida aquando do Rali dos Sertões, na primeira metade da época, que condicionou toda a preparação para este Dakar, Ruben não esconde, no entanto, a confiança quanto à sua participação.

"Quando regressei à competição em Marrocos percebi que não estava totalmente recuperado. A melhor opção foi abandonar logo no terceiro dia para pensar na recuperação. Desde então, tenho trabalhado de forma intensa com um médico francês especialista em mãos, porque, aquando da queda no Brasil, foi-me diagnosticada uma fratura no rádio, sendo mais tarde detetadas duas roturas de ligamentos", explicou Ruben Faria.

O piloto adiantou que "os ossos estão recuperados e os ligamentos melhoraram bastante com a ajuda do médico francês", acrescentando que se encontra bem fisicamente, pelo que está confiante para esta participação na prova.

"Vou delinear a minha estratégia dia-a-dia e gerir o meu esforço de acordo com as necessidades e as dificuldades que forem surgindo", concluiu.

Ruben Faria parte para a Argentina logo após o Natal, onde se juntará à sua equipa para os últimos preparativos e derradeiro teste com a moto de competição antes do arranque da prova.

O Dakar2014 termina no dia 18 em território chileno, após cerca de 9.000 quilómetros de competição, que irá percorrer as pistas da Argentina, Bolívia e Chile.

Em 2013, o piloto algarvio foi segundo classificado na prova, o melhor resultado de sempre de um piloto português na mais importante maratona todo-o-terreno a nível mundial.

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