Futebol

Rúben Micael: "Venho para ajudar o F. C. Porto a voltar ao primeiro lugar"

Rúben Micael: "Venho para ajudar o F. C. Porto a voltar ao primeiro lugar"

Aí está o mais recente reforço do F. C. Porto. Já a pisar o relvado do Dragão, embora apenas para a câmara fotográfica, pois o contacto com a bola só será feito hoje de manhã, no Olival.

Rúben Micael, de 23 anos, é a aposta da SAD portista para o meio-campo e uma cara nova pronta a bater-se pelo pentacampeonato, nada intimidado pelo atraso de seis pontos relativamente aos líderes Braga e Benfica.

Apontado ao Sporting e a clubes de renome europeu, o médio madeirense acabou, afinal, por escolher o F. C. Porto, motivado pela conquista de títulos e pela presença na Champions, como confessou ao JN, ontem, ao início da noite, depois de um dia passado a formalizar o acordo e a conhecer a nova realidade. O novo camisola número 28 encara com normalidade a troca do Funchal pela Invicta e garante que a transferência não lhe roubou o sono, nas vésperas de assinar. Gosta da cidade e não se mostra esquisito na escolha da futura casa: com ou sem vista para o mar, é-lhe indiferente. A inscrição da mais recente aquisição portista é regularizada esta semana. Formalmente, já será opção frente ao Estoril, no domingo, para a Taça da Liga.

Por que razão escolheu o F. C. Porto? Teve outras propostas...

Escolhi o F. C. Porto porque aqui ganham-se títulos e joga-se sempre na Champions. Surgiram convites do estrangeiro, mas temos que ter etapas na vida. Acho que o mais importante era primeiro passar por um grande e a equipa pretendida era o F. C. Porto. Estou cá, estou feliz!

Mas foi abordado pelo Benfica e pelo Sporting...

Sobre isso não falo. Estou no F. C. Porto, onde sempre quis estar.

A assinatura do contrato foi uma questão de minutos, como sucedeu com o Rodríguez e o Álvaro Pereira?

Sim, foi por aí (risos)... Foi muito rápido, porque era o que eu queria. Pedi ao presidente do Nacional para deslocar-me ao Porto e ele aceitou. Daqui [F. C. Porto] falaram com o Rui Alves e foi um instante. Estive [ontem] de manhã com o presidente Pinto da Costa e com o treinador Jesualdo Ferreira. Disseram-me que era bem-vindo e que tinha sido contratado para ajudar a equipa.

É a primeira vez que sai da Madeira. A distância dos amigos e da família será um problema?

Não, aqui também falamos a mesma língua. São só uma hora e cinquenta minutos de avião. Não estamos assim tão longe...

Ambiciona, um dia, tornar-se num embaixador da região madeirense, como sucede com o Cristiano Ronaldo?

Não quero ser embaixador, quero é jogar à bola. Neste momento, isso não me preocupa.

Já o vimos marcar golos de longa distância, de bola parada, de cabeça... Enfim, considera-se já um jogador completo ou chega ao Dragão também para aprender, junto do "professor" Jesualdo Ferreira?

Estamos sempre a aprender. Todos os dias. Se um jogador disser que não necessita de treinar e não tem coisas para aprender, isso é mentira. Certamente aqui, no F. C. Porto, as pessoas saberão indicar-me o melhor caminho. O objectivo é crescer como jogador. Isso tem acontecido nos últimos anos no F. C. Porto com outros jogadores. Espero que as coisas também me corram bem.

Tem vocação ofensiva e marca golos. Nas últimas épocas, esse papel coube a Lucho. Desde a saída do argentino, não surgiu uma solução continuada e consensual. Há uma espécie de vazio. Concorda?

Vazio, porquê? Não há vazio! Não só eu, como todos os que gostam de futebol, apreciavam o Lucho. Da mesma forma que gosto de ver Guarín, Valeri e Tomás Costa. São todos bons jogadores. Não venho substituir ninguém. Vou tentar ajudar. Vou trabalhar para isso.

A ida ao Mundial, na África do Sul, é uma das suas metas, ao trocar o Funchal pelo Porto?

É mais fácil chegar à selecção jogando no F. C. Porto do que no Nacional. A realidade aqui é outra. E, jogando a Liga dos Campeões, tanto melhor. Se fizer o que estava a fazer o Nacional, terei uma oportunidade de ir à selecção.

Há algum jogador do F. C. Porto que mais admire? Que encarne a raça portista?

Há jogadores que são a marca do clube: Bruno Alves e Raul Meireles. No campo, vemos isso, pela vontade de ganhar. Não é por acaso que são tetracampeões. Vamos trabalhar para ver se eles conseguem o penta. Mas há outro futebolista que sempre admirei e que considero ser o mais importante do F. C. Porto, o Fernando. Dá liberdade aos médios, ao ganhar quase todas as bolas no meio-campo. Será bom para mim e para os outros centrocampistas.

O F. C. Porto está a seis pontos da dupla da frente, Braga e Benfica. Apesar do atraso, está optimista quanto à renovação do título?

O grupo não está satisfeito pela presente situação. Não é habitual o F. C. Porto estar no lugar que ocupa agora. A partir deste momento, vou tentar auxiliar, no campo, para que o F. C. Porto volte a chegar onde costuma estar. Ou seja, ao primeiro lugar. O mais importante é o campeonato, só depois aparece a Liga dos Campeões.

É possível que a estreia, pelo F. C. Porto, possa acontecer frente ao Nacional, na próxima semana. Está preparado para defrontar a sua ex-equipa?

Não me vai provocar nada. O presidente do Nacional, os adeptos e os meus ex-companheiros foram espectaculares. Fui muito bom ter por lá passado. Isto, embora seja sabido que o União é o clube de que mais gosto. Passei lá nove anos. Não foram nove dias, nem nove meses... Nunca vou esquecer o União.

Médio custou três milhões de euros e tem a sexta maior cláusula de rescisão

Os termos do negócio entre o F. C. Porto e o Nacional foram comunicados à CMVM, confirmando-se a ligação de Rúben Micael aos dragões até 2014, como o JN tinha dado conta. Pela aquisição, os portistas vão pagar três milhões de euros aos madeirenses, correspondentes a 60% do passe do jogador. Foi também anunciada a cláusula de rescisão, fixada em 30 milhões de euros, a sexta maior do futebol português. A lista é liderada por Hulk (100 milhões de euros), seguindo-se Cardozo (60), David Luiz (50), Di María e Makukula (40). O Nacional acrescentou, no seu site oficial, que as conversações entre os clubes conduziram ao acerto de questões relativas aos direitos de Paulo Assunção, detidos em partes iguais por Nacional e F. C. Porto. O trinco foi contratado pelos portistas aos madeirenses, saindo, depois, para o Atlético de Madrid, por vontade própria, quando ainda tinha uma época de contrato para cumprir. Os espanhóis tiveram que pagar uma indemnização.