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Rui Costa explica saída de Darwin, contratação de Enzo e preferência por Schmidt

Rui Costa explica saída de Darwin, contratação de Enzo e preferência por Schmidt

"O nosso principal objetivo foi dar qualidade ao plantel. Não há limpezas nas saídas porque nenhum jogador é lixo", começou por clarificar Rui Costa à BTV, presidente no Benfica, durante uma explicação dos movimentos do clube no mercado de transferências.

O dirigente das águias explicou que, apesar de o número de jogadores do plantel ser maior do que o esperado (neste momento é 30, o ideal seria 21 jogadores), o treinador Roger Schmidt não está insatisfeito, tendo em conta as lesões e a sequência enorme de jogos até ao Mundial. "Para além dos 21 jogadores contratados, o objetivo era manter o núcleo do ano anterior e temos 15 jogadores do ano anterior. Em termos de formação, o objetivo era ter cinco jogadores no plantel, este ano batemos o recorde com nove. Apenas Samuel não foi estreado, os restantes já jogaram", disse.

Sobre Roger Schmidt, Rui Costa referiu não entender as dúvidas quanto a um treinador estrangeiro. "Não percebo a questão tão levantada do porquê de um treinador estrangeiro, até porque muitos estrangeiros tiveram sucesso no Benfica. Aquilo que vemos em Roger Schmidt é grande qualidade de jogo e o que pretendíamos para o clube: futebol atrativo e ofensivo. Quando tivemos a notícia que podia não renovar com o PSV, fizemos uma primeira abordagem e, para nosso espanto, percebemos a vontade em treinar o Benfica. Conheço o treinador, era preciso saber se encaixava no projeto e à primeira conversa fiquei com a convicção que iria ser o próximo treinador do Benfica. Numa fase prematura, toda a gente está satisfeita e Roger Schmidt está satisfeito até agora", acrescentou.

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Relativamente às vendas no clube, o presidente do Benfica referiu que era impossível manter Darwin Núñez, transferido para o Liverpool. "Estamos a falar de uma das transferências mais altas do mercado atual [Darwin]. Chegar uma proposta de 75 milhões de euros + 25 milhões de opção, olhando para o mercado internacional, não havia condições de recusar, mantê-lo era quase impossível".

Rui Costa abordou ainda a saída de Everton para o Flamengo, referindo que "não teve a adaptação ao futebol português", sendo que o Benfica considerou que o ideal seria a venda, para a entrada posterior de um jogador como David Neres. Um caso semelhante foi o de Yaremchuk, vendido ao Club Brugge, que, para além da questão da adaptação, teve uma condicionante ainda maior. "Uma palavra de apreço ao Yaremchuk, que trabalhou sempre muito no Benfica. Pouca gente sabe disto, mas nas primeiras semanas de guerra ele perdeu seis quilos. Apesar de se apresentar nos treinos com a mesma disposição, teve dificuldade em fazer aquilo que sabe, por estar condicionado por estes fatores", revelou o dirigente.

Sobre as saídas de Gabriel, Seferovic, Meité e Weigl, Rui Costa explicou que iriam perder espaço no plantel atual do Benfica. Sobre Weigl, o presidente das águias foi mais longe. "Não chegou uma proposta que considerássemos oportuna para vender. O próprio admitiu que estava a perder espaço face ao modelo de Schmidt e, num regresso ao seu país de origem, pode rentabilizar e lutar por uma vaga no Mundial".

Rui Costa abordou ainda algumas rescisões de contrato, destacando Pizzi e Vertonghen. "O Pizzi é um jogador que nos merece o maior respeito, dado o historial no clube. No passado foi atacado de forma injusta. Chegou a um patamar que iria perder espaço e procurou aproveitar os últimos anos de carreira noutro lugar. Vertonghen foi das melhores pessoas que conheci no futebol, um senhor e um exemplo. Não seria solução ficar no Benfica e arriscar não ser convocado, e não era a nossa intenção prender-lhe as pernas", revelou.

Tendo em conta as saídas no plantel, o critério para as contratações, segundo o presidente, era "restabelecer a qualidade no plantel". A primeira premissa era ocupar posições necessárias na equipa, segundo explicou relativamente aos casos de Bah e Ristic. Já o caso de David Neres, contratado ao Shakhtar Donetsk, o caso foi diferente.

"Não só ocupa a posição no plantel de Everton como acabou por ser um negócio benéfico. Os 15,3 milhões de euros não é um valor tão alto quanto o valor de mercado dele. O Shakhtar tinha uma divida connosco da compra de Pedrinho. Estaríamos em condições de fazer queixa à FIFA por um clube da Ucrânia, tendo em conta a situação que vivem? Como tal, a contratação não só elimina a dívida, como ganhámos um ativo, agindo com o maior respeito pelo Shakhtar", clarificou.

Outro dos focos de Rui Costa foi Enzo Fernández, um dos jogadores em maior destaque até ao momento. "É a aquisição mais cara e acredito que vamos pagar todo o valor total por ele, porque era mau sinal se não o fizéssemos até porque um dos objetivos é ser campeão nacional. Agora, depois de o ver em campo, ninguém tem dúvidas porque insistimos tanto nele, mesmo que tivesse de vir em janeiro", disse Rui Costa.

O presidente das águias abordou ainda Fredrik Aursnes, "um dos pedidos expressos de Roger Schdmit". Já sobre Petar Musa, contratado ao Boavista, e Rodrigo Pinho, lesionado há mais de um ano, Rui Costa acredita no potencial dos dois avançados. "O Musa destacou-se no ano passado e sentimos necessidade de contratar um ponta-de-lança que não viesse como uma estrela. Ele ainda está tímido, mas estou convencido que vai ser um avançado que nos vai dar imensas alegrias. Sobre Rodrigo Pinho, está pronto para jogar depois de uma grave lesão e acreditamos que vai render desportivamente", concluiu.

Em relação às duas entradas no último dia de mercado, John Brooks e Julian Draxler, o presidente do Benfica realça a questão de necessidade e oportunidade. "As lesões nos defesas e a saída de Vertonghen criaram a necessidade de contratar um central, e Brooks é um jogador experiente que agrada ao treinador. Queríamos mais um jogador para o trio da frente e quando apareceu a oportunidade de trazer um jogador da qualidade do Draxler não hesitamos", referiu.

Rui Costa deixou ainda uma nota quanto à lesão de João Victor, que é "chata de curar e está a demorar mais tempo" do que o Benfica esperava. No entanto, foi contratado por ter sido um dos primeiros pedidos de Roger Schmidt, que era "um central rápido".

No final, ficou revelado que o Benfica encaixou 128 milhões de euros brutos em vendas, tendo gastado 63,8 milhões em contratações.

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